À distância, que encolhe a olhos vistos, vê-se uma parede de betão, estacionada no próximo dia 30. É o dia limite para a Grécia pagar ao FMI e a data para o fim do atual programa de ajuda externa, que foi já prolongado de forma extraordinária. E dos dois lados da estrada, ninguém tira o pé do acelerador. Europa e FMI de um lado, Atenas do outro, não há quaisquer sinais de abrandamento. Se alguém está a fazer bluff, esta é a altura para colocar as cartas em cima da mesa. Porque, a esta distância, o desastre parece cada vez mais inevitável.

E a acontecer um incumprimento, ninguém pode prever qual o futuro da Zona Euro. Se a Grécia acabar mesmo por sair da moeda única, os especuladores não vão descansar enquanto não perceberem até onde é que os parceiros europeus estão dispostos a ir para ajudar quem se segue na fila dos países mais frágeis: Portugal. A subida das taxas de juro da dívida pública é só um primeiro aviso.

É óbvio que os gregos são responsáveis pelo buraco escuro onde se encontram e pelo vazio dos cofres. O problema não é de agora: são décadas de dinheiro mal gasto, de benesses sociais incompreensíveis para os restantes europeus, de uma cultura de fuga aos impostos que torna portugueses e italianos uns aprendizes, de uma economia que deixou de ter condições para ser competitiva, de governos incapazes e corruptos.

As regras existem para ser cumpridas. Mas a União Europeia também foi construída com recurso às exceções. Por exemplo, numa questão como os limites ao défice previstos nas regras da moeda única, uma matéria tão cara aos alemães, foi a própria Alemanha que não cumpriu as regras e escapou sem ser penalizada.

O caminho técnico para uma solução esgotou-se. Já não há nada que os ministros das Finanças possam fazer, e ainda bem. A haver uma solução tem de ser política. E essa só pode ser negociada entre primeiros-ministros e chefes de Estado.

O caminho político irá desembocar em novas eleições na Grécia. O cinismo de Bruxelas e o egoísmo das lideranças europeias, fracas e sem rasgo, vão acabar por impor nova escolha aos eleitores gregos, com a esperança que o Syriza seja removido do poder.

O caminho financeiro só pode passar pelo perdão da dívida. Com mais ou menos austeridade, dentro ou fora da Zona Euro, é óbvio a Grécia nunca vai conseguir pagar uma dívida pública que representa 177% do Produto Interno Bruto.