A demissão de Vítor Gaspar é uma assunção de erros cometidos e de que existe falta de coesão no Governo, consideram Constança Cunha e Sá e António Perez Metelo, comentadores da TVI.

Analisando no «Jornal das 8» a carta de demissão do ministro, os dois comentadores consideraram que Vítor Gaspar assumiu o falhanço das políticas do Governo «em toda a linha», e que não tem credibilidade e confiança suficiente para continuar à frente da pasta das Finanças.

«Vítor Gaspar foi o grande corporizador das políticas de austeridade do Governo. Como é que o Governo se mantém, se ele, que era o principal arquiteto das medidas, não tem condições para se manter?», questionou Constança Cunha e Sá, considerando que a queda de Vítor Gaspar enfraquece todo o Governo e também o primeiro-ministro, que fica cada vez mais isolado.

Também António Perez Metelo leu as implicações políticas da carta de demissão do ministro: «Vítor Gaspar diz não ter condições para continuar porque os seus colegas de Governo não lhe deram «atempadamente» condições para concluir a sétima avaliação da troika ao programa português».

Para o comentador, os colegas de Governo «fizeram a vida negra» a Gaspar durante a sétima avaliação, impedindo-o de a completar a tempo. Em causa está a discórdia em torno da chamada TSU dos pensionistas, uma taxa sobre as pensões que Gaspar queria implementar e que chegou a ser publicamente anunciada no dia 3 de junho mas que Paulo Portas recusou, ameaçando mesmo abandonar a coligação no dia 5.

Só no dia 12, diz Gaspar, recebeu mandato para fechar a questão: o acordo alcançado dentro do Governo foi que a medida constaria no documento a enviar à troika, mas apenas como medida de recurso, comprometendo-se o Governo a procurar alternativas, para a evitar.

Num «sinal de falta de coesão», Gaspar pede ao primeiro-ministro que lidere e reforce a união do Governo, um «parágrafo assassino» para Passos Coelho, na opinião de Constança Cunha e Sá.

Para Perez Metelo, a carta de Gaspar revela que «aumentou tremendamente a resistência a esta linha de austeridade no país» e que o ministro estava «isolado» no seio do Governo.

Para os dois comentadores, a escolha de Maria Luís Albuquerque em substituição de Gaspar é «um erro fatal».