David Dinis considera que a crise no Grupo Espírito Santo (GES) transformou a futura fusão entre a Portugal Telecom (PT) e a brasileira Oi numa «fusãozinha», dada a diminuição da percentagem detida pela empresa portuguesa na nova entidade após o inicio da crise no BES.

O comentador da TVI afirmou, no «Jornal das 8», que o poder da PT dentro da nova empresa foi bastante encurtado, não só ao nível da percentagem, mas ao nível político, já que Henrique Granadeiro já não irá ocupar o lugar de vice-chairman da nova empresa.

«Estamos a falar de uma desvalorização da empresa na futura empresa que sairá desta fusão, de 39,6 para 25,6%, ou seja (...) uma desvalorização de mais de um terço do valor que a PT tinha naquela futura empresa. Isto é muito importante, (...) a que acresce a perda do lugar de vice-chairman, que estava destinado a Henrique Granadeiro, que é chairman da PT. Não é só ao nível da participação que a PT perde muita importância, também ao nível da decisão política, naquela que seria uma empresa onde a PT estaria muito prestigiada. Com que real peso é que a PT parte para essa nova etapa da sua vida?»

O comentador da TVI considerou, ainda, que o impacto da crise no BES vai alastrar-se a outras empresas e, mais importante ainda, poderá trazer também consequências para a economia portuguesa que estava a começar a recuperar.

«O grupo Espírito Santo vai passar por problemas gigantescos, estamos no início de uma tempestade, o BES vai passar por dificuldades bastante grandes, mas o que nos deve preocupar é o impacto que isto pode ter naquilo que era o "iníciozinho" de uma recuperação da economia portuguesa».