A "grande novidade" do segundo frente-a-frente entre Passos Coelho e António Costa, desta vez nas rádios, foi que o líder do PSD admitiu perder as eleições mas que, mesmo que isso aconteça, continuará à frente do partido. É esta a interpretação feita por Constança Cunha e Sá. 

"Propõe um encontro [com o PS, depois das eleições, para discutir a reforma na Segurança Social]. A grande novidade é que admite pela primeira vez, que se perder as eleições continua à frente do PSD. Diz taxativamente 'quer ganha, quer perca, estou disposto a falar consigo sobre isso'"


A Segurança Social foi, de resto, o grande tema nos dois debates entre Passos Coelho e António Costa. E, sobre o assunto, os dois têm pontos fracos, segundo a comentadora da TVI. 

"Passos Coelho continua sem explicar o que são os 600 milhões [de poupança na Segurança Social]. Também não explicou muito bem o plafonamento, disfarçou, mas não insistiram muito com ele. 

"Costa falhou porque não conseguiu explicar quais são as prestações" não contributivas que serão alvo de uma poupança de mil milhões de euros em quatro anos, depois de o adversário ter feito essa pergunta. 

"Passos Coelho aproveitou bem. Foi o ponto que marcou o debate, jogou a favor de Passos Coelho e contra Costa. Não consigo perceber onde [o PS] vai buscar este número. Ele disse que as pensões mínimas iam ser todas aumentadas"


Ora, as prestações não contributivas são precisamente aquelas que  as pessoas recebem sem terem contribuído para tal, como as pensões mínimas e o abono de família, por exemplo. 

Constança Cunha e Sá defende ainda que, hoje, o líder do PSD esteve "francamente melhor" do que no primeiro confronto. "Mudou radicalmente a estratégia: o nome Sócrates usado 12 vezes no primeiro debate, desta vez não foi utilizado uma única vez. Passos Coelho esteve bastante mais ao ataque, enérgico, bastante mais combativo e leva uma certa vantagem" em relação a Costa.