Classificar uma queda abrupta da bolsa como um crash resulta de "medo e de pânico" e no caso da China, mais ainda, pela falta de informação sobre o que se está a passar, na opinião do comentador da TVI24 António Costa. A bolsa chinesa caiu 20% numa semana e, só esta segunda-feira, 8,5%. As restantes bolsas mundiais também sofreram com a onda de choque e, em Portugal, o PSI20 caiu 5,8%, no pior dia desde 2008.

No novo programa de informação 21ª Hora, o economista explicou que os investidores fogem "em rebanho" e Portugal está particularmente exposto.

"Para Portugal, há dois efeitos negativos: dependemos muito do mercado angolano, que está muito dependente de petróleo, já abaixo dos 40 dólares [por barril e a China é o segundo maior consumidor de petróleo no mundo] e já está a afetar exportações portuguesas. E Portugal é provavelmente o país que mais investimento direto que recebeu com origem na China. Muito do que temos foi comprado por chineses e a venda do Novo Banco, agora, por exemplo, está a ser negociada em exclusivo com a chinesa Anbang. Portugal está muito exposto ao  investimento direto chinês"


O comentador da TVI24 lembrou até o caso da crise na Grécia, para dizer que quem a "dramatizava tanto" há algumas semanas, vê agora que "uma constpiuação a sério na China pode ser, de facto, uma pneumonia séria na economia mundial".

"A China tem um problema conjuntural - a economia esta a abrandar - e tem problema estrutural, sobretudo assente nas exportações e no preço do petróleo para o resto do mundo, que comprava muito e no investimento público massivo, financiado por bancos públicos", acrescentou.

Pode vir aí outra crise como a de 2008, iniciada nos EUA? António Costa diz que a resposta ainda não é absolutamente clara, mas "os sinais estão todos aí".

"Se em 2008, o mundo passou por aquela crise e a China, à data, tinha instrumentos, tinha dinheiro para gastar e mercado para exportar, hoje não tem, nomeadamente investimento público, dinheiro público. De 2007 para 2015 dívida subiu de forma drástica e a China não tem instrumentos para contrabalançar".


Ou seja, a estratégia de um modelo e dois sistemas "está a chegar ao fim o seu caminho". "As autoridades terão de fazer mais alguma coisa do que conviver numa economia centralizada e muito definida no comité central" e "evoluir para outra coisa, nomeadamente na estratégia de desenvolvimento económico", defendeu ainda.