
João Pereira Coutinho considera que Angela Merkel não saiu derrotada da última cimeira pela Espanha e pela Itália e que a diferença de tratamento dada a estes dois países são um «insulto ao esforço dos portugueses».
«Será que os mercados têm razão para festejar? E será que os "especialistas" têm razão ao afirmarem que Itália e Espanha vergaram a Alemanha, obrigando Angela Merkel a aceitar tudo o que recusava? A resposta, infelizmente, é "não" e "não"», disse o comentador.
«A cimeira, ao contrário do que parece, não se traduziu em nenhuma derrota para a Alemanha», salientou.
«Até prova em contrário, a sra. Merkel ainda respira, as rotativas do BCE estão desligadas e a mutualização da dívida, uma exigência da França e dos países periféricos, saiu de cima da mesa por enquanto», frisou, recordando «que a estratégia alemã para a crise do euro assenta em controlo orçamental primeiro e mutualização da dívida depois».
Sobre o impacto da cimeira em relação a Portugal, João Pereira Coutinho apontou que «com o défice nos 7,9% no primeiro trimestre e a meta de 4,5% para este ano a transformar-se em pura ficção científica o acordo da cimeira mostra bem que nesta Europa unida existem filhos e enteados».
«A mera possibilidade de Espanha ou de Itália recorrerem ao Mecanismo Europeu de Estabilidade sem que isso implique a supervisão ou as imposições de austeridade da nossa conhecida troika são um insulto ao esforço dos portugueses e ao papel de "bom aluno" de Pedro Passos Coelho», salientou, defendendo que a renegociação dos termos do acordo com a troika são «uma verdadeira prioridade nacional».