Constança Cunha e Sá disse, esta quinta-feira, que era expectável que um ataque terrorista como aquele de que foi alvo o jornal satírico «Charlie Hebdo», em Paris, beneficiasse os partidos de extrema-direita, que aproveitam atos deste tipo para pedir políticas mais restritivas do espaço da livre circulação de imigrantes. Na TVI24, a comentadora sublinhou que este tipo de atentado também é dirigido às comunidades muçulmanas, já que ceder ao temor da islamização da Europa debilita os que lutam pela livre circulação das pessoas.

No rescaldo de um acontecimento que abalou todos os franceses e provocou também reações por toda a Europa, Constança Cunha e Sá fez referência a vários ataques a mesquitas, em França, desde o tiroteio no jornal «Charlie Hebdo». A comentadora referiu também como exemplo a Frente Nacional, partido francês de extrema-direita, cuja líder Marine Le Pen apareceu, esta quinta-feira, a defender um referendo sobre a pena de morte.

«Tudo se faz para que as opiniões se voltem contra os muçulmanos. Eu acho que isto é uma cedência ao terrorismo. Estes ataques radicais têm dois alvos: um alvo é o atentado à civilização ocidental e ao modo de vida europeu, mas também tem outro alvo, que são exatamente as comunidades muçulmanas», explicou.

«Se se ceder a este perigo de tornar igual o que é diferente, no fundo acaba por se conseguir cumprir um dos objetivos dos terroristas, que é efetivamente separar e criar um fosso entre a comunidade islâmica e as comunidades europeias. Quando maior a ostracização, mais radicalização se encontra. Enveredar por um caminho destes seria fazer um favor a esta gente radical que mata pessoas em nome da religião», defendeu.