Constança Cunha e Sá afirmou, esta terça-feira, na TVI24, que a greve de dez dias dos pilotos da TAP é, em última análise, uma "greve a favor da privatização" e que os motivos invocados pelo sindicato, a devolução das diuturnidades com caráter retroativo e a participação no capital da empresa, são exigências "inexequíveis". 

"Em ultima análise é uma greve a favor da privatização. O problema não são os prejuízos, que vão ser grandes, até porque o objetivo de uma greve é causar prejuízos para chamar a atenção de certos aspetos. O problema é que os motivos invocados pelo sindicato me parecem inexequíveis."

A comentadora da TVI24 não tem dúvidas de que a greve vai avançar e que falta apenas saber qual o grau de adesão à paralisação, uma vez que não se trata de um protesto "consensual". Uma greve que põe em causa a sustentabilidade da transportadora aérea e que "vai correr mal" para os pilotos, segundo a comentadora.

"Mesmo os movimentos que estão contra a privatização da TAP não defendem esta greve porque esta greve põe em causa a sustentabilidade da empresa e vai correr mal para os pilotos. [...] Os efeitos desta greve são muitos maus para a TAP."


Outro dos temas analisados por Constança Cunha e Sá foi a apresentação do cenário macroeconómico do PS ao patronato, feita por António Costa. A comentadora destacou uma "frase interessante" do secretário-geral socialista que, na sua opinião, reflete a ideia que Costa quer transmitir ao eleitorado,

"Costa disse uma frase interessante: a existência de uma alternativa a austeridade dentro do euro. Costa quer fazer vingar uma ideia de que é possível quebrar a austeridade sem sair do euro."


Uma ideia que Constança Cunha e Sá questiona.

"A verdade é que todas as tentativas de diminuir a austeridade permanecendo no euro falharam redondamente."


A comentadora referiu ainda que este cenário macroeconómico visa o cumprimento das regras europeias e, também  por isso, deixa de fora a hipótese de uma reestruturação da dívida.

"Não há qualquer linha sobre a reestruturação da divida [no documento]. Costa e Seguro nunca tiveram uma posição muito clara nessa matéria, mas nesta agenda nota-se que essa ideia morreu."