«São dois governos que têm legislativas este ano e estão em risco de perder as eleições. O sucesso das negociações com Grécia pode ser fatal tanto para o ministro espanhol como para o português.»

A comentadora da TVI24 foi mais longe e criticou a postura do governo português em relação aos gregos, considerado que não foi defendido o interesse nacional, mas o interesse partidário.

«O governo português não quer encarar a possibilidade de que os portugueses possam perceber que poderia ter havido outro caminho que não o da troika».

Constança Cunha e Sá analisou ainda as declarações de Maria Luís Albuquerque em entrevista ao Jornal das 8 da TVI, no sábado, considerando que a ministra das Finanças se sentiu na obrigação de explicar que não tinha «alterado uma vírgula» no acordo alcançado, até porque não fez declarações após o anúncio do entendimento. A comentadora criticou a postura de Maria Luís durante o processo das negociações.

«Ninguém estava à espera que a ministra viesse elogiar o programa do Syriza. O problema são as declarações que roçam a indelicadeza e as habilidades frente a Schäuble para provar que a austeridade funcionava. [...] Portugal não é prova nenhuma.»

Constança Cunha e Sá justificou o facto de Portugal não ser uma prova de que a austeridade funciona lembrando os números divulgados esta segunda-feira sobre a dívida.

«Ao contrário do que o governo andou a dizer o ano inteiro [a dívida] subiu e está em 129% do PIB. Isto é uma prova do falhanço do programa em Portugal.»