Constança Cunha e Sá considera que o novo programa de estágios anunciado pelo Governo para desempregados de longa duração, com mais de 30 anos, não é uma medida eficaz de combate ao desemprego e terá um «efeito nulo» na empregabilidade.

No seu comentário na TVI24, Cunha e Sá reforçou que este género de postos de trabalho são «precários» e «muitíssimo mal pagos», e não passam de «pseudoempregos».

«Formalmente é uma medida ativa de promoção do emprego, só que não promove emprego nenhum. (…) Isto de facto não vai lá com este tipo de medidas, mas sim com crescimento, [aliás] já ouvimos o presidente da confederação do comércio a dizer que em termos de desemprego, o efeito era nulo. Porque o problema é este: está-se a subsidiar um emprego que não é um emprego, é um estágio, que é precário [e] muitíssimo mal pago».

A comentadora da TVI24 continua e diz que se realmente estes estágios fossem empregos, então também significaria que o Estado está a subsidiar um posto que vai tirar um emprego tradicional, que as empresas vão aproveitar, ou a criar um lugar que não é necessário. Cunha e Sá acusa o Governo de estar a fazer o mesmo que o Executivo de José Sócrates, e a ir contra um ideal que divulgava quando fazia oposição, o de não se subsidiar o emprego.

«Das duas uma, ou aquele emprego é necessário e então este estagiário está a tirar um emprego a uma pessoa, [e] a poupar à empresa a contratação de alguém que devia lá estar para fazer esse trabalho, ou o trabalho não é necessário e o Governo está a financiar um pseudoemprego, que não existe e ao fim de seis meses desaparece. (…) Este Governo é o mesmo que sempre disse que não se subsidiava o emprego. Lembro-me muito bem que estas políticas foram aplicadas, também, pelo engenheiro José Sócrates, que foi acusado, por membros [da oposição] de estar a manipular as estatísticas, que de facto é ao que vai levar», acrescentou.