Constança Cunha e Sá criticou o discurso do Presidente da República nas comemorações do 5 de outubro, que alertou para o risco de o país caminhar para uma implosão do sistema partidário, e acusou o chefe de Estado de não ser pessoa indicada para falar sobre o assunto.

«[Em primeiro lugar]o Presidente fala da implosão do sistema político como se tivesse aterrado ontem em Belém vindo de Marte. [Depois] não é sequer a pessoa indicada para fazer estas críticas e para falar da implosão dos partidos, uma pessoa que esteve 10 anos como primeiro-ministro e que vai fazer 10 anos como Presidente da República. No fundo é o homem que ocupou mais tempo responsabilidades governativas e presidenciais. Em terceiro lugar contribuiu, e muito, para a degradação das instituições, nomeadamente, da instituição Presidência da República».

No seu comentário habitual na TVI24, Cunha e Sá acusou o Presidente da República de compactuar com todas as políticas do atual Governo e de continuar a apoiar o grande ideal que não está a dar resultados, quer em Portugal ou na Europa: a austeridade.

«Há um discurso em todo o país que diz que a austeridade é inevitável, (…) mas a verdade é que esta receita esta a falhar em todo o lado. (…) Nós estamos à beira, na Europa, de entrar numa terceira recessão. (…) Ou seja, perante um caminho que mostrou à sociedade que não resolveu coisa nenhuma, antes pelo contrário, o Presidente da República vem-nos pedir para que haja um compromisso sobre determinadas matérias. [Cavaco] não diz quais são, mas tendo em conta as intervenções que tem feito, o apoio que tem dado a este Governo, percebe-se que os compromissos a ser feitos [são] sobre a dívida, o défice, a consolidação, todas as políticas deste Governo», afirmou a comentadora da TVI24.