Constança Cunha e Sá afirmou, esta terça-feira na TVI24, que o governo português «especializou-se em frases infelizes sobre a Grécia», quando a situação do país está «mais próxima da da Grécia» do que muitos líderes europeus imaginam, lembrando os relatórios do INE sobre a pobreza em Portugal.

«Portugal está muito mais próximo da Grécia do que imaginam. Dois milhões de pessoas em risco de pobreza é uma brutalidade e isso não se resolve de um dia para o outro.»


A comentadora da TVI24 acrescentou que o executivo de Passos Coelho vai desempenhar um «papel miserável» na reunião do Eurogrupo, agendada para esta quarta-feira.

«Portugal vai mostrar aos gregos e à Alemanha que são os bons alunos e o exemplo de que a austeridade funciona. É este o papel miserável que o governo vai desempenhar no Eurogrupo. »


Em relação a esta reunião que discute a situação dos gregos, Constança Cunha e Sá destacou aquela que é para si a questão essencial: saber se o governo de Alexis Tsipras vai conseguir o plano transitório, alternativo ao programa da troika, que tanto pretende.

A comentadora da TVI24 referiu ainda que, até aqui, a Alemanha definiu as regras unilateralmente, com os restantes países «agachados perante o poder da senhora Merkel», mas que agora há países que têm alguma esperança com tudo o que está a acontecer na Grécia.  Por isso, Constança Cunha e Sá sublinha que uma eventual saída da Grécia da União Europeia terá, além de efeitos económicos, «consequências políticas».

«É completamente imprevisível antecipar uma saída Grécia, sobretudo em termos políticos, uma vez que abre um precedente que pode ser utilizado por outros países. Há países que não querem afrontar Merkel, mas que têm alguma esperança com a situação da Grécia.»