Constança Cunha e Sá chamou, esta quinta-feira, a atenção para a atitude do primeiro-ministro que, ao afirmar que nunca usou o cargo para enriquecer, estava «a apontar diretamente para Évora e para Sócrates». Na TVI24, a comentadora defendeu que Pedro Passos Coelho deu como adquiridas as posições do Ministério Público (como se Sócrates não beneficiasse da presunção de inocência) e puxou o caso de José Sócrates para a campanha eleitoral.

«Numa altura em que o ex-primeiro-ministro está preso exatamente por corrupção, branqueamento de capitais e fraude fiscal, e em que, segundo se diz, as suspeitas incidem exatamente no período em que ele foi primeiro-ministro, quando Pedro Passos Coelho dá esse exemplo e diz que “não somos todos iguais”, é evidente que aqui puxou José Sócrates para a campanha eleitoral e para a política», afirmou Constança Cunha e Sá.


No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», a jornalista sublinhou que a detenção de José Sócrates e as dívidas de Passos Coelho à Segurança Social remetem para situações completamente diferentes: o caso de Passos Coelho é um caso de política e o caso de José Sócrates é um caso de justiça.

A comentadora discordou ainda dos que consideram que o caso de Passos Coelho é um assunto do foro pessoal.

«Não é de todo também um caso pessoal, é um caso de política de um primeiro-ministro que, pautando-se pelo rigor e pela exigência em relação aos contribuintes portugueses e em relação aos reformados em nome da sustentabilidade da Segurança Social, vem agora dizer que não pagou durante cinco anos à Segurança Social», defendeu.