Constança Cunha e Sá considera que Passos Coelho vive num «país das maravilhas», alheio ao que se passa realmente em Portugal, pois só assim se explica que possa afirmar que a única reforma que o Governo não conseguiu fazer seja nos custos do trabalho.

No comentário na TVI24, Cunha e Sá mostrou-se indignada com as declarações do primeiro-ministro, uma vez que existem números do Eurostat que provam que Portugal teve a maior descida da União Europeia no que toca aos custos do trabalho.

«Fiquei estupefacta ao ouvir [Passos Coelho] dizer que a única reforma que ficou por fazer foi nos custos laborais, [o que é curioso] porque foi a única reforma que [o Governo] de facto fez. (…) Nós hoje em Portugal temos menos de metade dos custos de trabalho do que a média europeia. Para se ter uma ideia, no último trimestre de 2014 os custos de trabalho desceram 8,8%, a maior descida da Zona Euro, segundo dados do Eurostat. Não sei se o PM quer por em causa os dados do Eurostat como colocou os do INE… (…) É absolutamente extraordinário que um Governo que à segunda, à quarta e à sexta diz que não quer uma economia baseada nos salários baixos, no fim apareça a dizer que a única reforma que não foi feita foi a redução com os custos do trabalho».


Para a comentadora da TVI24, se Passos Coelho mantém esta ideia de cortes nos custos do trabalho, onde já «se aplicou, a fundo,» o primeiro-ministro acabará por transformar Portugal numa «China europeia».
 

«Há estudos do Banco de Portugal que falam exatamente dessa redução dos custos de trabalho e da redução dos ordenados em Portugal, e uma das coisas que o Governo se aplicou, a fundo, foi exatamente nos custos dos vencimentos e nos custos das reformas. Uma das grandes críticas feitas a este governo é [justamente] que não se aplicou nos cortes das gorduras, nem na racionalização da máquina do estado, nem nas PPP, mas sim que tenha feito sempre o plano da austeridade recair essencialmente sobre contribuintes, trabalhadores por conta de outrem, funcionários públicos e reformados. Vir agora dizer que falta fazer muito sobre essa matéria e que tenciona, se for eleito, continuar a fazer, não sei o que ele quer, chegar a uma China europeia?».