Constança Cunha e Sá manifestou-se esta quarta-feira surpreendida com as projeções macroeconómicas apresentadas pelo Partido Socialista. Na TVI24, a comentadora revelou que algumas das propostas socialistas lhe suscitam mais interrogações do que certezas, sobretudo a relacionada com a sustentabilidade da Segurança Social. Constança Cunha e Sá defendeu ainda que não têm razão de ser as críticas que a maioria PSD/CDS-PP faz às propostas do PS, dizendo que são «eleitoralistas» e que remetem para um «regresso ao passado».

«Até aqui PSD e CDS têm criticado o PS por não apresentar propostas. No dia em que apresentaram as propostas, principalmente o PSD, precipitou-se a comentá-las sem sequer as ter lido. Isto diz muito de uma forma de fazer política. O PSD reage a quente sem ter lido as propostas e agora fala de eleitoralismo. No fundo, podemos dizer fala o roto ao nu: porque o Governo não tem feito outra coisa senão campanha eleitoral ao longo deste ano», começou por dizer a comentadora.


No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá sublinhou que Pedro Passos Coelho também não tem razão quando acusa o PS de promover um regresso ao passado, ao apostar no consumo privado como motor de crescimento.

«Isto não é um regresso ao passado, isto é o que se passa, de facto, hoje. Porque Pedro Passos Coelho sempre defendeu que tinha mudado o perfil da economia portuguesa (um perfil não assente no consumo privado, mas nas exportações e no investimento, etc.) e a verdade é que o crescimento que Portugal tem tido nos últimos tempos, ténue e pouco sustentado, é exatamente assente é no consumo privado. Ou seja, não estamos a falar de nenhum regresso ao passado porque esse passado não mudou», explicou.


Acenar com o regresso da troika, como tem feito o CDS, é para Constança Cunha e Sá, um exagero, «até porque o programa do PS não é uma coisa tão antagónica assim ao programa do PSD».
 
Já no que diz respeito ao plano do PS, a questão da segurança social é, para Constança Cunha e Sá, uma medida que não é bem explicada e que deixa algumas preocupações: «Para mim, a maior surpresa do programa do PS, que me suscita mais interrogações do que propriamente certezas».
 

«Há muita coisa que eu ainda não entendo no programa, nomeadamente as projeções macroeconómicas: não entendo como é que se chega aquele crescimento em 2019, não entendo como é que o PS consegue descer mais de metade do desemprego até 2019, não entendo principalmente como é que, estando em causa a sustentabilidade da segurança social, (….) recupera uma medida muito criticada pelo PS quando foi apresentada pelo PSD, que é recuperar a TSU», rematou.