Constança Cunha e Sá afirmou esta segunda-feira na TVI24 que «ninguém pode prever as consequências de uma saída da Grécia» da União Europeia, nomeadamente os efeitos económicos e políticos que tal acontecimento pode trazer para os países periféricos como Portugal. Para a comentadora da TVI24, as declarações do ministro das Finanças grego, que avisou que caso os gregos saiam da UE, Portugal pode ser o próximo país a sair, refletem, não uma política do medo, mas uma «política realista».

«No fundo, o que ele [Yanis Varoufakis] quer dizer é que a saída da Grécia tem consequências políticas e económicas, ao contrário do que a Alemanha defende, de que não há um efeito sistémico. Penso que é impossível explicar e perceber os impactos económicos e políticos que uma saída da Grécia poderia trazer.»


A comentadora destacou que uma eventual saída da Grécia abre um precedente para os países que sempre tiveram dificuldades em viver com a moeda única.

«Os tratados não prevêm a saída dos países. A partir do momento em que um pais é empurrado porta fora abre-se um precedente para países que sempre tiveram dificuldades em viver com o euro.»



Em relação aos próximos passos do governo de Alexis Tsipras, a comentadora afirmou que apesar de os gregos já terem recuado na questão da renegociação da dívida, o primeiro-ministro grego reafirmou a sua posição contra o programa de austeridade e que, por isso, deverá agora tentar «a todo o custo» que um outro programa, de transição e diferente do programa da troika, seja aplicado na Grécia. 

«O primeiro-ministro reafirmou que era contra o programa de austeridade e que as promessas eleitorais eram para ser cumpridas.»


Constança Cunha e Sá referiu ainda que uma relação privilegiada da Grécia com a Rússia pode ter um papel determinante nas políticas europeias, lembrando que as sanções aplicadas ao governo de Vladimir Putin são sempre aprovadas por unanimidade e que a Grécia poderá deixar de dar o seu aval nesta matéria.

A comentadora criticou ainda a posição de Passos Coelho em relação a este assunto, afirmando que o primeiro-ministro se limita a fazer política, contrariando as declarações de António Costa.