Constança Cunha e Sá presume que Carlos Moedas, o novo comissário europeu, está «em desacordo consigo próprio» quando diz que muitas vezes não concordou com a troika. No seu comentário habitual na TVI24, apontou ainda o dedo ao Governo por ter apresentado, à Comissão Europeia, a subida do salário mínimo como sendo uma medida «temporária». «Há aqui uma malabarice, como dia Passos Coelho».

«É muito estranho». «Não passava pela cabeça de ninguém que fosse temporária no sentido que pudesse retroceder. Todos os constitucionalistas acham praticamente possível», frisou, acrescentando que não faz sentido fazer-se «um braço de ferro por causa de um aumento de 20 euros», quando a subida é de 485 euros para 505 euros brutos.

«Se isto não é afrontar todo um modelo de desenvolvimento, com salários baixos, não sei o que é. É extraordinário que o Governo apresente à comissão europeia a medida como transitória, e depois em função de um critério que ninguém sabe qual é seja, depois revista no final de 2015. Passa a ideia de que
para contentar pomos aqui isto como temporário».

A comentadora da TVI24 entende que o executivo de Passos Coelho tem «a obrigação» de explicar o que tenciona fazer depois de dezembro de 2015. E pede responsabilidades também à UGT, que assinou o acordo.

Uma coisa é certa: para Constança Cunha e Sá «seria surrealista» o salário mínimo voltar para o patamar dos 485 euros. «Há aqui uma malabarice, como diria Passos Coelho. A forma como é apresentado o diploma é de uma criativa, porque apresenta uma medida com um fim».

Outro assunto na ordem do dia que mereceu destaque foi a prova oral a que foi submetido o novo comissário europeu português, Carlos Moedas, ex-secretário de Estado adjunto do primeiro-ministro. Moedas confessou que discordou muitas vezes com a troika.«Presumo que não tenha estado de acordo consigo próprio. Fazia parte do Governo. Foi um instrumento essencial para a aplicação [da austeridade] e fez parte de um Governo que sempre quis ir para além da troika», recordou.

«Gostava que explicasse quando, onde e em quê, porque nós não vemos contradição nenhuma, nem o vimos insurgir-se seja contra o que for», rematou.