António Guterres confirmou esta sexta-feira o que a TVI já tinha avançado há dois meses, a 3 de fevereiro: não é candidato às presidenciais de 2016. A comentadora de política da TVI24 Constança Cunha e Sá defende que o ex-primeiro-ministro já podia ter anunciado oficialmente, há mais tempo, que não está na corrida a Belém.
 

«A TVI deu isso há dois meses. A verdade é que a novela continuava e ele próprio nunca se dignou a dizer uma palavra sobre a matéria, a não ser para abrir a possibilidade e a manter a novela em andamento. Ao Expresso disse que estavam abertas todas as possibilidades. É bom que tenha feito agora, mas faz tarde, por este motivo, porque andou a ver, pelos tabuleiros, qual é que lhe dava mais jeito»

 
Pelo que diz hoje, numa entrevista à Euronews, depreende-se que Guterres quer continuar na Organização das Nações Unidas, onde é alto comissário para os refugiados. O seu mandato foi, de resto, prolongado até ao final de 2015. E, em novembro de 2014, António Guterres admitiu querer voar mais alto na ONU, abrindo a possibilidade de se candidatar ao cargo de secretário-geral, atualmente ocupado por Ban Ki-moon.
 
Constança Cunha e Sá considera que um «ponto crítico» da forma como o ex-primeiro-ministro socialista geriu este processo é «fazer da Presidência uma segunda escolha», o que a jornalista considera lamentável, porque se trata de uma «instituição fundamental em Portugal»
 

«Menoriza a Presidência e menoriza-se ele enquanto eventual candidato de recurso. No fundo, ele via na Presidência da República um recurso. Se não conseguir [ser secretário-geral da ONU] a Presidência servia».
 

PS em apuros
 
Com António Guterres fora da corrida, o Partido Socialista é que sofre as consequências:

«Isto criou um problema sério à esquerda, à qual ele suspostamente pertence. Há uma algazarra no PS a propósito de Sampaio da Nóvoa. [Há quem] esteja a chorar por Jaime gama e Guterres. Percebe-se que o PS anda a chorar por candidatos que obviamente não têm intenção de avançar»

 
Esta situação e o silêncio de António Costa estão, segundo a jornalista, a dar «espaço» ao PSD.
 

«O primeiro-ministro entrou em campanha eleitoral acelerada. Todos os dias está em três sítios diferentes. Depois de António Costa abandonar a câmara de Lisboa, também tarde e a más horas, eis se não quando o PS mergulha nas presidenciais» e deu-se a «antecipação dos calendários do PSD e do CDS»

 
Tudo acabou por ser precipitado pelo nome de Sampaio da Nóvoa – a TVI avançou que será o candidato presidencial apoiado pelo PS. Constança Cunha e Sá entende que «é o candidato que surge depois dos ‘não’. Mas é um candidato por iniciativa própria. O que não dá jeito é o PS andar a escolher candidatos que ainda não existem», rematou.