Era para ser o dia «D» de acordo entre o Eurogrupo e a Grécia. Acabou em desacordo, com um «ultimato claro» da Europa a Atenas, na opinião de Constança Cunha e Sá. A jornalista e comentadora da TVI24 entende que os ministros das Finanças do euro fizeram um «ultimato claro» a Atenas, que passa a mensagem de que só a «linha dura da austeridade» importa. O caminho do «precipício».

Surpreendida com o «tom tão duro» do Eurogrupo, Constança Cunha e Sá sentenciou:

«A posição do Eurogrupo deixa a Grécia sem saída. Estamos a pisar terreno muito perigoso. Hoje foi dado um passo em frente para o precipício (…). Ou há uma pirueta de última hora – o ministro grego das Finanças dizia que estava otimista e lembrou que ultimatos não deram bom resultado na Europa; ou não se vê forma de ver acordo (…). O facto de ter sido votado de forma unanime mostra que só há uma linha , que é a linha dura da austeridade (…) Se a Grécia for obrigada a sair, mostra que só há único caminho»


A comentadora da TVI24 lembrou que o governo grego já tinha cedido em algumas matérias, como o perdão da divida e a aceitação de 70% memorando atual, mas o seu «ponto de honra» era a suspensão do programa em vigor, que termina este mês, preferindo, antes, um empréstimo de transição.

«O programa falhou em toda a linha», mas a Grécia está sem «espaço de manobra na Europa para negociar». «Não há espaço para governo grego salvar a face», resumiu, acrescentando que «o que incomoda à Europa não é tanto a questão da dívida mas da austeridade».

«O Eurogrupo não aceita sequer discutir. A Grécia é obrigada a aceitar atual programa contra o qual se candidatou»


Esse tom foi dado pelo ministro das finanças alemão, logo pela manhã, ainda antes da reunião do Eurogrupo, ao dizer que tinha «pena dos gregos» porque «elegeram um governo de irresponsáveis», citou Constança Cunha e Sá:

«É impensável. É arrepiante ouvir uma coisa destas de um ministro de Estado, que fala assim de outro país. É uma atitude de ‘têm a saída que merecem', uma atitude de punição. 'Então, pumba, terão de vergar e sair para a rua’ »

 E, sublinhou, a Europa tem nessas declarações o propósito de servirem de «vacina» para outros países, para que «não tenham ideias». O caso de Espanha, por exemplo, com ascensão do Podemos.