A Grécia e credores estão numa fase "contrarrelógio", tendo o Governo português aproveitado a derrocada grega para tentar usá-la como "argumento eleitoral", na opinião de Constança Cunha e Sá. Parecendo haver agora luz ao fundo do túnel nas negociações, essa estratégia foi mal conseguida e institucionalmente reprovável. 

"Nunca consegui perceber a posição do Governo português - quer dizer, consigo perceber muito bem, porque a saída da Grécia da Zona Euro era um argumento eleitoral para a campanha que pretendiam fazer -, mas a verdade é que Portugal seria obviamente prejudicado. Seria toda a zona euro, mas principalmente os países mais frágeis da periferia e Portugal à cabeça"


No seu habitual comentário na TVI24, Constança Cunha e Sá ironizou que o primeiro-ministro "bem pode encher a boca com os cofres cheios", porque o problema grego pode ter consequências de médio e longo prazo como, de resto, assinalou o presidente do Banco Central Euopeu, Mário Draghi quando avisou que uma saída do euro era estar a entrar em mares nunca antes navegados

O "tom" do Eurogrupo desta segunda-feira foi melhor e não de rutura como na semana passada.  A questão é "essencialmente política, já não é só financeira", constatou Cunha e Sá, reprovando a "inflexibilidade total" dos credores para com as propostas gregas na semana passada e o "esplendor da responsabilidade", em declarações como as de Christine Lagarde, a diretora do FMI. 

"Nem consigo perceber como é que Passos Coelho viu e vê, aqui, uma grande flexibilidade da Zona Euro e da UE em relação ao tratamento dado à Grécia. Não há ninguém que não diga que tem havido irredutibilidade total em relação às propostas gregas", continuou. 

A comentadora não tem dúvidas que "Portugal seria o próximo alvo" caso o desfecho grego fosse - e ainda pode ser - o pior.

"Não consigo perceber como ainda hoje o primeiro-ministro não consegue perceber uma coisa destas e vem dizer que a influência que podia haver em Portugal era política e não financeira", criticou. 

"Portugal e Espanha foram dos países mais violentos em relação à Grécia por questões internas, puramente internas. No Caso espanhol é o Podemos, para o Syriza não dar força; no caso português, é o caso do PS. Ficou numa situação a meio caminho: tão depressa saudou vitória do Syriza como depois se calou completamente sobre o assunto e só hoje é que António Costa veio falar"


A comentadora e jornalista da TVI24 condena o facto de o líder do PS não se ter diferenciado do discurso de Passos Coelho e do Presidente da República, na semana passada. Cavaco Silva disse que a Grécia não podia ser uma exceção e tinha de obedecer às regras.