Constança Cunha e Sá apontou, esta quarta-feira, um conflito de interesses para membros do Governo aquando da aplicação da medida de resolução do caso BES. Na TVI24, a comentadora admitiu a hipótese do Conselho de Ministros ter decidido «em causa própria» quando aprovou o plano de salvaguarda de todos os depósitos e aplicações no banco, independentemente do valor ser acima dos 100 mil euros.

 

«Quando o Governo decide por esta solução, sabia ou não o que estava a proteger? Sabia ou não que havia pessoas no Governo que tinham depósitos muito acima dos 100 mil euros? [e que, em caso de falência do BES, perderiam esses depósitos]», perguntou a comentadora no espaço de análise nas «Notícias às 21:00».

 

Constança Cunha e Sá referia-se a uma questão levantada pelo PCP de que 16 membros do atual Governo, entre ministros e secretários de Estado, tinham exposição, sob formas diversas, à situação do GES, no valor de um milhão de euros no BES.

 

«Isto foi discutido num Conselho de Ministros dia 31 [de julho], onde pelos vistos se veio a saber depois que muitos dos que estavam presentes, e o Governo em peso, tinham interesses muito específicos no BES. Decidiram em causa própria. Se 16 pessoas do Governo tinham um milhão de euros no BES, é evidente que decidiram em causa própria», afirmou a comentadora.