Constança Cunha e Sá criticou, esta quinta-feira, a atuação do governador do Banco de Portugal perante os clientes lesados do Banco Espírito Santo (BES). No dia em que a TVI, teve acesso a uma troca de emails que prova que o papel comercial do Grupo Espírito Santo (GES) foi vendido aos clientes como sendo do BES e com garantia de capital, a comentadora fez notar, na TVI24, que Carlos Costa sempre assumiu uma posição insustentável e defendeu o indefensável.
 
No espaço de análise nas «Notícias às 21:00», Constança Cunha e Sá sublinhou que ficou agora provado que, aos clientes do BES, nunca foi referida nenhuma empresa do GES. Os clientes nunca foram informados que estavam a comprar papel comercial da Rioforte ou do ESI, mas sim que estavam a comprar um produto do BES, com a garantia BES, e portanto só aconteceria alguma coisa se o BES fosse à falência, como de facto acabou por acontecer.
 

«Era preciso ter uma grande bola de cristal para um cliente achar que o BES podia ia à falência», afirmou a jornalista, criticando Carlos Costa por dizer que os clientes assumiram o risco quando compraram papel comercial.
 
«Quer dizer, um governador que não viu nada do que se passou à sua volta, que atuou tarde e a más horas, que não fez nada, e que o que fez, ainda por cima, em vez de ajudar ainda complicou mais a situação, vem agora dizer que estes clientes tinham a obrigação de saber o que é que estavam a comprar, como se vê por estes emails a maior parte dessas pessoas não sabiam de facto o que estavam a comprar», censurou Constança Cunha e Sá.

 
Contactado pela TVI para reagir à notícia sobre a venda de papel comercial do GES sem referência às verdadeiras entidades emitentes, o Banco de Portugal remeteu para as explicações dadas por Carlos Costa, na Assembleia da República.  «Isso então é abusar da paciência das pessoas, porque se houve episódio lamentável na comissão de inquérito do BES foi essa audição do governador do Banco de Portugal», defendeu Constança Cunha e Sá.
 
Para a comentadora, Carlos Costa apareceu «completamente isolado, defendendo o indefensável, sem ter sequer argumentos que sustentassem a sua tese e dizendo até para as pessoas, neste caso, os detentores de papel comercial, irem ter com as entidades emitentes, ou seja com as empresas do BES». «Ele defendeu uma posição insustentável que nem a ministra sequer o acompanhou nessa proposta», concluiu.