Constança Cunha e Sá diz que o atual Governo não pode pedir aos jovens portugueses que aumentem a natalidade do país, já que são a faixa etária mais afetada pelas práticas «anti-natilidade» do Executivo nos últimos quatro anos.

Referindo-se às medidas em discussão no parlamento para o aumento da natalidade em Portugal, Cunha e Sá mostrou-se admirada com a grande preocupação do primeiro-ministro com o problema da quebra no número de nascimentos. Quando, para a comentadora, Passos Coelho teve, justamente, responsabilidade nesse sentido.

«É curioso que o primeiro-ministro tenha como prioridade a natalidade quando o Governo apostou nos últimos quatro anos em medidas que destroem, impossibilitam ou contrariam exatamente o processo de crescimento da natalidade. É no mínimo curioso ver um Governo que cortou nos abonos de família, nos apoios sociais, nos salários, que introduziu empregos precários e mal pagos vir agora dizer que a sua prioridade é fazer subir o nível da natalidade».


A comentadora diz que os jovens são o alvo que o Governo procura sensibilizar para esta problemática, porém, com uma taxa de desemprego de 35% nesta faixa etária, e quando mesmo os empregados têm dificuldades em viver sem ajudas dos pais, o plano de Passos Coelho não terá sucesso.
 

«Quando estamos a falar de natalidade estamos a falar de jovens (…), um setor da população que tem 35% de taxa de desemprego oficial. (...) uma das taxas mais elevadas da Europa. [Esta população] dificilmente pode estar virada para a natalidade se não consegue arranjar emprego.  (...) [Depois] os jovens quando vão para o primeiro emprego ganham muito menos do que quem vão substituir (…), sabemos por diversos estudos que uma parte muito significativa de jovens são obrigados, mesmo trabalhando, a voltar a casa dos pais ou receber ajudas dos pais, porque o emprego que têm não lhes permite sustentar uma casa (…) é impossível pedir-lhes que constituam família», acrescentou.