Constança Cunha e Sá comentou, esta quarta-feira, no seu espaço de opinião na TVI24, o discurso de Cavaco Silva do dia 10 de junho, em Lamego. Para a comentadora da TVI24, as reações da oposição não a surpreendem, uma vez que se tornou "um clássico que qualquer intervenção de Cavaco Silva conte desde de logo com a oposição da oposição".

"E a verdade é que nos últimos anos de facto Cavaco Silva colou-se e muito ao discurso do governo", afirmou Constança.


Na opinião da comentadora da TVI24, Cavaco Silva usou este discurso - " o último grande discurso de Cavaco Silva enquanto Presidente da República" - para "fazer uma autojustificação do seu mandato" e uma "espécie de defesa contra o ataque que tem sido feito de ele se colar demasiado ao governo"

"Porque Cavaco Silva vai buscar dois exemplos, que por acaso são únicos, em que terá feito uma leve crítica ao governo: um foi quando, numa mensagem, falou da ameaça recessiva. E diz também que deu voz aos que não tinham voz quando disse que há limites para os sacrifícios, nomeadamente para os pensionistas".


Segundo Constança Cunha e Sá, a segunda frase da "primeira vez que foi dita foi ainda no governo de Sócrates". "Ele repetiu-a depois no governo de Passos Coelho, logo no início, falando essencialmente nos pensionistas".

"O problema é que desde aí que Cavaco Silva não tornou as mínimas distâncias em relação ao discurso e à ação do Governo, nomeadamente, se ele em 2011 achava que o limite de sacrifícios já tinha chegado, não se compreende como é que nunca fez nada em relação aos Orçamentos de Estado que cortaram substancialmente as pensões dos pensionistas e dos reformados. Nunca fez qualquer pedido de fiscalização preventiva, a não ser no fim. Este discurso confirma, de facto a colagem que o Presidente da República tem em relação ao discurso do Governo", afirmou a comentadora, reiterando que "se se comparar o discurso é exatamente o mesmo".