Constança Cunha e Sá não reconhece a Aníbal Cavaco Silva autoridade para definir o perfil de quem lhe vai suceder no cargo de Presidente da República. No dia em que o chefe de Estado traçou o perfil do sucessor, no texto de prefácio ao  livro «Roteiros IX», a comentadora disse, na TVI24, que Cavaco Silva é a pessoa menos indicada porque ele próprio tem mostrado que não tem perfil para o cargo que ocupa.

«Cavaco Silva mostra todos os dias que não está à altura do cargo que ocupa (…), que não tem de facto perfil para Presidente da República, que esvaziou completamente o papel de Presidente da República. Que seja esse senhor que agora se dá ao luxo de vir traçar o perfil do seu sucessor parece-me no mínimo surrealista, tendo em conta que ele não cumpriu os mínimos em relação a si próprio», defendeu a comentadora.


A jornalista também considerou irónico que Cavaco Silva tenha referido que o futuro Presidente da República deve ser um especialista em política externa, «como ele próprio diz que é». Para Constança Cunha e Sá, aquilo a que se assistiu nos últimos anos foi uma ausência total de estratégia em relação à política externa portuguesa. E uma ausência de política externa que Cavaco Silva sempre apoiou.

«Nós tivemos uma política de seguidismo em relação ao que nos foi imposto: ir para além da troika, seguir a Alemanha (…) e o Presidente da República, em vez de manter uma neutralidade mínima que salvaguardasse os interesses do país, colou-se excessivamente [ao Governo], ao ponto do Presidente da Comissão Europeia dizer que Portugal e Espanha tinham sido mais exigentes com a Grécia do que os próprios alemães», realçou.