Constança Cunha e Sá considera inaceitável que não se tenha encontrado uma solução para o Banif nos últimos três anos. A comentadora da TVI considera a situação “chocante” e é particularmente dura nas críticas à anterior ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque.
 
O caso Banif foi o assunto comentado por Constança Cunha e Sá, esta terça-feira, na rubrica “Sobe e Desce”, da 21ª Hora.
 

A subir: Horta Osório

 
A comentadora da TVI colocou, esta terça-feira, a subir o banqueiro Horta Osório, por causa das declarações que fez sobre o caso Banif. O presidente do banco britânico Lloyds defendeu a realização de uma auditoria externa que mostre aos portugueses o que aconteceu no Banif, considerando que é "um assunto chocante" que tem de ser "devidamente explicado"
 

“Horta Osório levanta um problema que hoje começou a ser explicado, mas que ainda há muito por explicar. Como é que, em finais de 2012, princípios de 2013, se faz uma injeção de capital do Estado de 1,100 milhões de euros e, dois anos ou três anos depois, chegamos à conclusão que que essa injeção pode chegar aos 3800 milhões de euros. (…) O que é que se passou nestes três anos que justifique esse descalabro?”, questiona Constança Cunha e Sá.

 

“O que é que andou o governo a fazer durante estes dois anos?”, acrescentou.

 
A comentadora secunda a opinião de Horta Osório e também considera o caso Banif “um caso chocante e que não devia ter acontecido”. Constança Cunha e Sá lembra a experiência prévia da intervenção noutros bancos.
 

A descer: Maria Luís Albuquerque

 
A comentadora da TVI é particularmente dura nas críticas que tece a Maria Luís Albuquerque, a anterior ministra das Finanças.
 

“À medida que as coisas se vão sabendo, vamos percebendo contornos preocupantes em toda esta história. Como é que se esteve durante três anos sem se fazer nada ou sem que houvesse resultado ou consequência do que se esteve a fazer?”, disse Constança Cunha e Sá.

 

“Pela troca de correspondência entre Maria Luís Albuquerque e a Comissão Europeia, percebe-se claramente que foi dado tempo a Portugal para a saída limpa. Ou seja, este caso foi gerido de uma forma política”, sublinha.

 
Constança Cunha e Sá não isenta de culpas as instâncias europeias: “Nós nunca soubemos o que hoje se tornou público no parlamento e o que mostrou a correspondência: a Comissão Europeia não acreditava na viabilidade do Banif. (…) A Comissão Europeia também é responsável por este resultado. É inaceitável que tenha concedido ao anterior Governo todo este tempo, sem fazer nada.”
 

“Mas a verdade é que havia uma data limite e o anterior Governo conhecia essa data limite. E deixando tudo para a 25ª hora, há um afunilamento de opções”, sublinhou.