Constança Cunha e Sá considera que o plano alternativo às políticas do governo, apresentado por António Costa, anuncia que vai virar a “página da austeridade”, porém deixa muitas questões por explicar.

No comentário de análise à entrevista de António Costa desta quarta-feira no “Jornal das 8” da TVI, Cunha e Sá disse que a “alternativa” de António Costa deixa muitas dúvidas, nomeadamente em torno da redução da TSU para os empregadores e consequente descapitalização da Segurança Social.

“Não ficámos esclarecidos sobre os valores das reformas, percebemos que vão ficar congeladas, mas não percebemos muito bem em quer termos é que a diminuição da TSU para os trabalhadores pode implicar reformas mais baixas no futuro. António Costa disse que não havia plafonamento, mas a ideia que surge do documento [a 'Agenda para a Década' do PS] é uma espécie de plafonamento. Outra coisa que não se percebe bem é por que é que o PS que criticou tanto a descida da TSU para os empregadores vai recuperar essa medida, embora dizendo que só se aplica nos contratos a prazo. O que fica por explicar é a descapitalização enorme da Segurança Social que vem daí”.

A comentadora da TVI24 considera que António Costa se apresenta como uma “alternativa dentro da alternativa”, uma vez que defende um modelo de “rotura” tal como os partidos mais à esquerda, ainda que não tão acentuado.

“[O programa de António Costa] é uma alternativa, mas dentro da alternativa, ou seja, dentro do mesmo modelo. Temos um modelo de rotura [que] tem sido defendido, por exemplo, pela esquerda à esquerda do Partido Socialista, o modelo escolhido por exemplo pelo Syriza (…) agora o que António Costa tenta fazer é virar a página da austeridade, mas, no fundo, sem virar grandes páginas na austeridade”, acrescentou.