A comentadora da TVI Constança Cunha e Sá ironiza sobre a «credibilidade de Portugal» diante dos mercados internacionais, perante a notícia de que a agência de notação financeira Fitch mantém o rating de Portugal no nível BB+, contrariando as expetativas de que o país sairia do nível de lixo.

«É preciso termos credibilidade para continuarmos no lixo», disse a comentadora, na TVI24.

«Ouvimos a ministra das Finanças dizer, a propósito da diminuição dos impostos, que o que era preciso era manter a credibilidade e a nossa credibilidade afinal é lixo», acrescenta.

Constança Cunha e Sá não acredita em eventuais perspetivas de subida: «Eu não sei onde é que há perspetiva positiva. Eu sei é que os juros estão baixíssimos por fatores alheios ao nosso caso e que têm a ver com o excesso de liquidez que existe na Europa».

«A nossa credibilidade serve a apenas para estarmos constantemente a ouvir raspanetes seja do FMI, seja da Comissão Europeia, ou por que subimos 20 euros no salário mínimo ou porque estamos a pensar descer o IRS. Eu acho que a nossa credibilidade é, no fundo esta vassalagem que o Governo presta, deixando que estas instituições, no fundo burocráticas, interferirem nos assuntos internos da vida portuguesa», considera.

Constança Cunha e Sá lança também desconfianças sobre uma «certa promiscuidade» entre as instâncias internacionais, «nomeadamente a Comissão Europeia, e o Governo, para que o Governo possa aparecer como o bonzinho» diante dos portugueses, a «fazer frente às instâncias internacionais».

«Fica bem ao Governo mostrar aos portugueses “eles não queriam, mas eu faço”», resume.

«O Governo está num processo de esfarelamento total»

Os acertos sugeridos por António Costa no calendário eleitoral, de forma a que o novo Governo possa já preparar o novo orçamento a apresentar em outubro do próximo ano, merecem a concordância da comentadora da TVI. «É bom que eleições em maio permitam ao novo Governo fazer o novo orçamento e não ser confrontado com um orçamento de quem já perdeu as eleições e de quem já não está ali», diz.

Mas, para Constança Cunha e Sá, os motivos para se mexer no calendário eleitoral deveriam ser outros: «Há aqui uma outra questão, que é “este governo tem condições para se manter?”».

«Estes últimos tempos começam a ser catastróficos. Acho que o Governo está num processo de esfarelamento total. É a Tecnoforma, é o BES, é a Justiça que está paralisada, é a Educação. É tudo. O que é que falta? A paralisação dos hospitais?», questiona.

«Temos um governo que se está a dissolver. (…) O ponto para a oposição deveria ser: este governo perdeu condições para governar», resume.