Constança Cunha e Sá critica a Comissão Europeia, por considerar que está a fazer uma “intromissão inaceitável” na campanha eleitoral em Portugal. Na rubrica “Sobe e Desce”, na 21ª Hora, na TVI24, a comentadora considera ser “surrealista” que Bruxelas diga que o impacto do adiamento da venda do Novo Banco no défice não vai exigir medidas adicionais, “ dando cobertura ao discurso do Governo”.

Constança Cunha e Sá sublinha que a própria Comissão se contradiz: no último relatório previu um défice de 3,2% em 2015, mas agora dá como adquirido que o Governo consegue reduzir o défice para 2,7,%. apesar dos 4,7% registados no primeiro semestre do ano.

Também as agências de rating estão na mira das críticas da comentadora, que conclui: “É evidente que a troika, que o Governo quer ver daqui pra fora, não quer que o Governo saia daqui para fora”.

Sinal positivo da comentadora vai para o facto da defesa de José Sócrates ter ganho o primeiro recurso na Justiça, no caso que é conhecido como “Operação Marquês”.

“Passaram 10 meses e Sócrates não faz a mais pequena ideia do que é acusado. Acho que não faz sentido que a defesa não tenha acesso às acusações do que é alvo”

Constança Cunha e Sá refere que se tem assistido a “permanentes violações do segredo de justiça”, com a acusação “a disparar em todos os lados”. A principal dúvida agora é saber o que consta do processo.
 

Sobe

“É a primeira vez que a defesa de José Sócrates consegue ganhar um recurso, e é um recurso importante. A defesa vai ter acesso e uma das primeiras duvidas é de facto saber o que é que constado processo da acusação. Temos assistido a permanentes violações do segredo de justiça, a acusação a disparar em todos os lados e não sabemos bem qual a consistência da acusação. Cabe agora ao juiz saber se se justifica o segredo de justiça externo. Tem havido um julgamento na praça pública sem que Sócrates tenha meios de defesa”

 

Desce

“Acho que houve uma intromissão inaceitável da Comissão Europeia na campanha eleitoral em Portugal. É surrealista vir dizer que a questão do Novo Banco e do impacto do défice não vai exigir medidas adicionais, que é apenas um efeito contabilístico, dando cobertura ao discurso do Governo.  Isto não é a primeira vez que acontece: esta semana a S&P avisou que se o país mudar de rumo depois das eleições, baixa o rating. A Moody´s disse hoje que quer consenso. Há aqui uma concertação, é evidente que a troika, que o Governo quer ver daqui pra fora, não quer que o Governo saia daqui para fora”