Paulo Portas diz que Barack Obama vai intervir ativamente nas eleições intercalares de novembro nos Estados Unidos para tentar derrubar Donald Trump. O comentador da TVI afirmou que o ex-presidente norte-americano consegue mobilizar não apenas os democratas, como também o eleitorado mais conservador.

No seu comentário "Global", domingo, no "Jornal das 8", na TVI, Portas sublinhou que a última semana foi “de carga pesada” para o presidente dos EUA, nomeadamente depois de o jornal The New York Times ter publicado um artigo anónimo de um destacado responsável da Administração Trump que explica porque e como se esforça, com outros, para lutar por dentro contra as “piores tendências” do chefe de Estado.

Paulo Portas utilizou a ironia e aludiu ao reality show “The Apprentice”, de que Trump foi apresentador, para se referir ao clima de desconfiança instalado na Casa Branca.

Mais de 40% das pessoas que começaram por trabalhar com o presidente Trump já não trabalham com ele. Ora, em tão pouco tempo, quase metade serem removidos, nem naquele programa em que ele dizia:’You’re fired!’”, brincou.

 

Trump fez uma OPA hostil ao Partido Republicano, foi pela pista de fora, foi pelas redes sociais, e, portanto, não tinha pessoal política próprio. Ele removeu os republicanos clássicos e não tinha pessoal político. Isso paga-se caro”, sublinhou.

Paulo Portas lembrou que os Estados Unidos estão a dois meses das eleições intercalares e que a imprensa no país está muito partidarizada.

“Não há particamente jornalismo independente nos Estados Unidos: é de tal maneira ou anti-Trump ou Trump que é difícil encontrar um lugar razoável. Isto fez mossa: ele perdeu dois ou três pontos na média das sondagens, mas falta ver se é transitório ou se é mais profundo”.

O ex-líder do CDS-PP e ex-vice-primeiro ministro do Governo de Pedro Passos Coelho chamou a atenção para Barack Obama, que pode ter um papel crucial no desfecho das eleições.

Obama é certamente o melhor mobilizador dos eleitores democratas, mas atenção: também é um grande mobilizador dos leitores republicanos. Obama é muito mais popular fora dos Estados Unidos do que nos Estados Unidos, por muito que custe aos democratas ouvir isto. Ele vai fazer campanha ativamente para tentar derrotar os republicanos e, portanto, a administração Trump, em novembro. Isso pode mobilizar os democratas, seguramente. Mas também pode mobilizar os eleitores conservadores que manifestamente têm uma ideia muito controversa sobre a presidência de Trump”, defendeu.

Paulo Portas não resistiu a partilhar o que disse ser uma frase muito inteligente de um ministro dos Negócios Estrangeiros: “Bem, mas se Obama tivesse sido assim um grande presidente, achas que o Sr.Trump teria sido eleito?”.

Para Paulo Portas, a pergunta faz um certo sentido, mas sublinhou que “é uma pergunta que os americanos fazem”. “Normalmente, o mundo considera Obama muito popular”, contrapôs.