Os comentadores da TVI, Paulo Ferreira e António Costa, consideram que após as reuniões dos partidos com assento parlamentar com o Presidente da República começa a adivinhar-se que Portugal vai acabar por ter um Governo liderado pelo Partido Socialista, apoiado pela CDU e BE, que entrará em funções depois do Governo PSD/CDS cair.

Para Paulo Ferreira, partindo do princípio que o Presidente da República vai indigitar Passos Coelho para formar Governo e dados os últimos avanços nas negociações à esquerda, o PS já não tem outra alternativa que não seja chumbar o Executivo da coligação PSD/CDS, e esperar que Cavaco Silva o convide tentar formar Governo a seguir.

“António Costa já perdeu a margem de recuo que tinha de, eventualmente, chegar ao parlamento, [adotar] uma atitude passiva, e com abstenções deixar um Governo da maioria de direita aprovar o seu programa e o seu Orçamento do Estado para o próximo ano. Essa margem acabou. Neste momento, António Costa só tem uma alternativa em termos políticos: chumbar [o Governo da coligação PSD/CDS] e ficar à espera que o Presidente da República o chame para formar Governo com apoio da esquerda.


Porém, Paulo Ferreira salienta que, se este cenário vier de facto a acontecer, o próximo Governo apoiado pela esquerda não deixará ser tão “frágil” como o de direita.

“O Governo que sair daqui será sempre um Governo frágil. Porque estes programas são inconciliáveis, e não estou a ver como é que o PS, o PCP e o BE se vão entender durante quatro anos – com Orçamentos que têm de estar abaixo dos 3%."

Também António Costa considera que esse é o cenário mais provável, salientando que é cada vez mais claro que o secretário-geral do PS nunca teve intenção de negociar com Passos Coelho e Paulo Portas.

“Fica claro para mim que António Costa não queria um entendimento com a coligação, e apostava, de alguma maneira, nesta possibilidade de um Governo à esquerda. (…) Nesta fase eu creio que António Costa já não quer uma margem de recuo, quer é uma margem de avanço. [Porque] a questão de fundo não é a legitimidade constitucional, nem democrática, é a consistência do [programa de Governo] que vier a ser adotado.”