Manuela Ferreira Leite disse, esta quinta-feira, que o Programa de Estabilidade aprovado em Conselho de Ministros, não apresenta grandes novidades. Na “21ª Hora” da TVI24, a antiga ministra das Finanças sublinhou que o Governo planeia um esforço orçamental, mas excluiu mais austeridade até 2020, sendo que o foco será cortar na despesa do Estado.

O Programa de Estabilidade “faz uma revisão em baixa de determinado tipo de indicadores, nomeadamente na questão do crescimento, que não é novidade porque é aquilo que está a acontecer em toda a Europa e direi quase que em todo o mundo. Desde a China aos EUA, todos estão a fazer revisões em baixa relativamente à perspetiva de crescimento”, afirmou a comentadora, para explicar que também Portugal não pode escapar a isso.

 

“Nem que a política fosse qualquer outra, [Portugal] estaria sempre condicionado por essa envolvente externa”, assegurou.

Por outro lado, acrescentou Manuela Ferreira Leite, o Programa de Estabilidade “faz algum ajustamento também na evolução do défice, mas considerando que no final de 2016 nós sairemos do processo de défice excessivo (portanto, ficar abaixo dos 3%) e que até 2020 o défice orçamental desaparecerá, não sei se definitivamente se pontualmente”

No mesmo espaço de comentário, a antiga ministra das Finanças realçou que os problemas que poderão surgir na economia portuguesa são também aqueles que não deixarão de estar presentes noutras economias. O que poderá servir de alibi a Portugal para muitas falhas em termos de execução orçamental.

“Quando o Governo diz que não vai haver ajustamentos, que não vai haver mais impostos, que a despesa vai ser contida, aquilo que eu penso (…) é que, se alguma coisa falhar, o que este Governo vai fazer é assumir que há um descalabro no défice. Isto é assumem esse aumento do défice”, vaticinou.

Para Manuela Ferreira Leite, a política e o próprio discurso do Governo revelam “a segurança de pensar que, se isto não se executar, acontece o mesmo a outros. Portanto, a Europa passa olhar para nós da mesma forma que terá de olhar para os outros países com dificuldade.”

A antiga ministra das Finanças defendeu, por isso, que Bruxelas “está obrigada” à compreensão de países como Portugal.

"Não acredito na compreensão de Bruxelas relativamente a Portugal (porque somos um país pequeno e vemos, por exemplo, a incompreensão que houve em relação a países como a Grécia), mas acredito que são obrigados à compreensão para países como Portugal se o resto da Europa como a Itália, a França, estiverem em situações em que a compreensão vai ter que ser generalizada", rematou.