“A votação, independentemente do que lá esteja, vai ser reprovada pelo Partido Socialista, Bloco de Esquerda e PCP. Portanto, é algo de grave”, afirmou.

 

Sobre a circunstância de o Presidente da República não ter outro remédio se não dar posse ao líder do segundo partido mais votado nas legislativas, a antiga líder do PSD defendeu que António Costa se está a aproveitar de uma situação política excecional.

 

“Há um ponto que é muito importante para a ‘ilegitimidade política’ do António Costa ser primeiro-ministro. Sabe qual é? É que ele nunca teria tomado esta decisão se não se estivesse a aproveitar de uma situação política absolutamente excecional e que é de estarmos num final de mandato do Presidente da República. Ele não pode dissolver a Assembleia e sabe que o próximo Presidente da República também não pode nos próximos meses. E, portanto, é nisso que ele jogou. Porque pudesse o Presidente da República dissolver o Parlamento, é evidente que a resposta que eu lhe dava agora, neste momento, era que, se eu estivesse no papel de Presidente da República, deitava o Governo abaixo e dissolvia a Assembleia no dia seguinte, para então haver uma maioria absoluta.

Para Manuela Ferreira Leite, a “técnica” de que se um partido não tem maioria absoluta não pode governar significa que nunca mais na vida pode haver governos sem maioria absoluta.

 

“Quando eu acho muito útil e muito bom para a democracia, para a evolução do país e para a situação das pessoas, para o bem-estar social das pessoas que, efetivamente, não haver governos com maioria absoluta tem mais utilidade do que desvantagens”, rematou.