Manuela Ferreira Leite acredita que António Costa não tomaria a decisão de avançar para o poder se o Presidente da República pudesse, neste momento, dissolver a Assembleia da República. No programa “Política Mesmo” da TVI24, a comentadora da TVI também considerou grave que os partidos de esquerda já tenham decidido rejeitar um programa de Governo, que nem sequer conhecem.
 
“A votação, independentemente do que lá esteja, vai ser reprovada pelo Partido Socialista, Bloco de Esquerda e PCP. Portanto, é algo de grave”, afirmou.
 
Sobre a circunstância de o Presidente da República não ter outro remédio se não dar posse ao líder do segundo partido mais votado nas legislativas, a antiga líder do PSD defendeu que António Costa se está a aproveitar de uma situação política excecional.
 

“Há um ponto que é muito importante para a ‘ilegitimidade política’ do António Costa ser primeiro-ministro. Sabe qual é? É que ele nunca teria tomado esta decisão se não se estivesse a aproveitar de uma situação política absolutamente excecional e que é de estarmos num final de mandato do Presidente da República. Ele não pode dissolver a Assembleia e sabe que o próximo Presidente da República também não pode nos próximos meses. E, portanto, é nisso que ele jogou. Porque pudesse o Presidente da República dissolver o Parlamento, é evidente que a resposta que eu lhe dava agora, neste momento, era que, se eu estivesse no papel de Presidente da República, deitava o Governo abaixo e dissolvia a Assembleia no dia seguinte, para então haver uma maioria absoluta.

 
Para Manuela Ferreira Leite, a “técnica” de que se um partido não tem maioria absoluta não pode governar significa que nunca mais na vida pode haver governos sem maioria absoluta.
 
“Quando eu acho muito útil e muito bom para a democracia, para a evolução do país e para a situação das pessoas, para o bem-estar social das pessoas que, efetivamente, não haver governos com maioria absoluta tem mais utilidade do que desvantagens”, rematou.