Fernando Medina acredita que o Presidente da República vai acabar por indigitar António Costa como primeiro-ministro. No “Jornal das 8”, da TVI, o autarca de Lisboa avisou que ter um Governo de gestão seria “um desastre” porque atrasaria o Orçamento do Estado. Já na TVI24, o comentador explicou ainda o que estará na base de um Governo de esquerda, liderado pelo PS.
 

“Se o Governo de Passos Coelho for rejeitado no Parlamento (e veremos se o será, tudo aponta nesse sentido), só o será, nas palavras de António Costa, porque existe à esquerda uma solução capaz de assegurar estabilidade, confiança e o respeito pelos compromissos internacionais. Ora, se for esse o caso, eu creio que Cavaco Silva não irá negar a posse a esse Governo”, afirmou Fernando Medina, esta quarta-feira, na TVI.

 
O sucessor de António Costa na Câmara de Lisboa acredita que Cavaco Silva dará posse a um governo PS porque ter um Governo de gestão atrasaria o Orçamento do Estado.
 

“O Presidente da República percebe muito bem o desastre que seria para o país termos um Governo de gestão durante largos meses até à realização das próximas eleições”, sublinhou.

 
Fernando Medina explicou que Portugal teria eleições “talvez em julho”, se houvesse um Governo de gestão, tendo em conta as limitações de calendário impostas por razões que se prendem com as eleições presidenciais, em janeiro de 2016. Ora, isso significaria que só teríamos o Orçamento do Estado para 2016 aprovado já no segundo semestre do ano, acrescentou.

Para o comentador, Cavaco Silva “é em parte responsável pela situação”, por ter “marcado as eleições para esta data”, em outubro, quando os seus próprios poderes já estariam limitados por estar em final de mandato em Belém.
 
Já na TVI24, na rubrica “Cara, Conta, Caso”, da 21ª Hora, Fernando Medina explicou que a solução estável de um Governo da esquerda vai ter de responder a três requisitos fundamentais. Em primeiro lugar, ser inequívoco relativamente ao cumprimento das obrigações de Portugal para com a Europa. Em segundo lugar, vai ter que ser claro também aos sinais de mudança para com a política que vinha a ser seguida pelo Governo PSD/CDS-PP, relativamente à procura interna, aos salários, aos rendimentos. A terceira demonstração que vai ser preciso fazer é a da solidez e da sustentabilidade dessa proposta alternativa.
 
Fernando Medina elegeu ainda como “cara” do comentário desta semana a figura de Eduardo Ferro Rodrigues por ter sido uma “boa escolha” que a República fez para presidente do Parlamento.
 
“Ferro Rodrigues é uma personalidade ímpar porque tem atrás de si um grande passado do ponto de vista cívico, do ponto de vista político, mesmo antes do 25 de abril no combate pela liberdade. É um servidor público. Sempre dedicou a sua vida ao serviço da causa pública com grande envolvimento político nos seus vários níveis. Teve um papel muito importante em vários momentos da história portuguesa, em particular devemos-lhe muito nas políticas de solidariedade”, defendeu.
 
Para o autarca de Lisboa, Ferro Rodrigues “rapidamente vai ser capaz de passar por cima” das circunstâncias de Portugal ter neste momento um “Parlamento fraturado” e ser um elemento que vai contribuir para a pacificação da vida política nacional.