A comentadora da TVI, Constança Cunha e Sá, considera que o Presidente da República não teve outra hipótese se não indigitar António Costa para o cargo de primeiro-ministro, tendo percebido que a solução de um Governo de gestão não servia ao país.

No “Jornal da Uma” da TVI, Cunha e Sá disse que a indigitação do secretário-geral do PS para o cargo de primeiro-ministro aconteceu “finalmente, ao fim de 50 dias”, depois de Cavaco Silva ter percebido que havia mais vozes contra a possibilidade de o “país ficar em gestão durante vários meses”, do que contra um Governo de iniciativa socialista.

“Já está, finalmente. Ao fim de 50 dias, António Costa conseguiu ser indigitado [primeiro-ministro]. Percebe-se pelo comunicado da Presidência da República que Cavaco Silva teve que indigitar António Costa, porque a maioria das pessoas que ele ouviu não queria um Governo de gestão. Havia muitas pessoas críticas ao Governo de António Costa, [mas] havia ainda mais pessoas críticas à possibilidade do país ficar em gestão durante vários meses.”


Como explicou a comentadora da TVI, o novo Governo vai trazer várias alterações ao nível da estrutura do Governo, nomeadamente no que toca aos ministérios, sendo criados pelo menos três novos.

“Já sabemos alguns nomes que vão fazer parte do executivo de António Costa, [que terá] algumas novidades, nomeadamente, a criação de um ministério dos Assuntos Europeus. Por sua vez, não há ministério dos Assuntos Parlamentares (…), na Educação também há uma novidade, temos um ministério da Educação sem Ensino Superior (que passa para o ministério da Ciência e Inovação e Ensino Superior), e, depois, um ministério que estava prometido por António Costa, o ministério do Planeamento e Infraestruturas, transversal a todas as pastas."

Cunha e Sá criticou, ainda, as "exigências" feitas pelo Presidente da República a António Costa, para o indigitar para o cargo de primeiro-ministro, realçando que estas não foram feitas a Pedro Passos Coelho.

"Quem nunca [conseguiria cumprir essas exigências], nem chegaria à [aprovação] de um Orçamento, porque o programa foi chumbado, era Pedro Passos Coelho. Eu acho que houve aqui uma nítida dualidade de critérios, porque as duas [princiapais] questões que [foram levantadas por Cavaco Silva], em relação ao Governo de António Costa, podiam, e deviam, ter sido levantadas em relação ao Governo de Passos Coelho."