A comentadora da TVI Manuela Ferreira Leite considera que “não há uma única solução em termos de política económica” e critica o PSD por não ter sido capaz de olhar além da própria solução que defendia e ter enveredado por um discurso negativo.

Estava-se mesmo a ver que isto ia dar resultado, mesmo que o Governo ficasse de braços cruzados em cima da mesa, a ver o mundo passar. A Europa melhorou e este Governo, com certeza, não fez nada por isso e porque vinham lá os fundos [comunitários], que já se sabia que lá estavam só não estavam ainda operacionalizados”, lembra a comentadora.

Para Manuela Ferreira Leite, o PSD cometeu o “erro” de ter enveredado por um discurso negativo:

O erro do PSD foi não ter visionado ou perspetivado que isto só podia melhorar, nunca podia piorar. Se tivesse imaginado que o facto de se reduzirem impostos diretos e passar a indiretos não tinha tantos efeitos recessivos, se tivesse vislumbrado que a Europa, mais dia menos dia, ia melhorar, se tivesse imaginado que os fundos comunitários que ainda não tinham entrado, mas vinham lá. (…) Deviam ter perspetivado isso e ter-se associado a uma perspetiva de crescimento.”

Agora, que “se associaram a uma perspetiva pessimista, considerando que apenas havia uma solução e, abandonando essa solução, isto ia tudo por água abaixo”, o PSD está com dificuldade em mudar o registo do discurso. “A verdade é que é difícil agora mudar de discurso e, ao ser difícil mudar de discurso, fica-se sem discurso”, sublinhou.

Considerando que devemos ter “as devidas cautelas sobre a galinha dos ovos de ouro, mas também não podemos ver ovos podres em todo o lado”, Manuela Ferreira Leite ressalva que o papel da oposição é sempre ingrato: “A oposição está sempre numa posição difícil quando está com um Governo que apresenta resultados positivos e fica um pouco sem discurso.”

A comentadora considera que o discurso em torno dos louros sobre a recuperação económica é inútil, tratando-se de “uma questão de natureza política, que não nos leva a lado nenhum”.

Os efeitos de quaisquer medidas não são instantâneos. Há apenas uma ou duas que são instantâneas: os impostos (lançam um imposto e amanhã ou outro dia vou ter de o pagar) e os vencimentos (se me cortam o vencimento fico logo mais pobre). Tirando esses, o resto demora o seu tempo a dar o seu efeito.”

Por isso, “todos os líderes políticos devem estar associados àquilo que fizeram, tanto de bem como de mal. (…) Todos os Governos fazem coisas boas e fazem coisas más”, considera.