O deputado do PSD, Carlos Abreu Amorim considera que os magistrados portugueses estão a fazer um trabalho «exemplar» no combate à corrupção, e não devem ser alvos de críticas, como as que têm surgido no âmbito dos casos do ex-primeiro-ministro José Sócrates e do Banco Espírito Santo (BES).

No programa da TVI24, «Política Mesmo», em debate com a eurodeputada socialista Ana Gomes, o deputado do PSD disse que «a justiça [portuguesa] mudou», não sendo a mesma do «tempo de Pinto Monteiro».

«Não podemos ter um discurso contra a corrupção, a favor da moralização da vida pública, a favor da transparência, e depois atacar aqueles que profissionalmente estão a desenvolver trabalho para fazer exatamente essa função: é o caso dos magistrados. Temos de fazer um elogio aos magistrados portugueses, que têm sido alvo de ataques que são absolutamente incompreensíveis, (…) [porque os magistrados] têm feito um trabalho exemplar. (…) Temos que dizer que a justiça portuguesa mudou. Já não é a justiça do tempo do dr. Pinto Monteiro», disse.

Referindo-se ao caso específico de José Sócrates, Abreu Amorim, diz que o ex-primeiro-ministro teve sempre «um rasto de casos atrás», e que ao longo dos anos a justiça deixou ficar muitas coisas «por responder».

 «Eu acho que muita gente não ficou surpreendida [com a detenção de José Sócrates]. Sócrates tinha um rasto de casos atrás de si, em que aparecia constantemente Pinto Monteiro, Cândido Almeida, e outras personagens desta natureza sempre a dizerem, às vezes no início das investigações, “não há absolutamente nada, nem vai haver” [contra Sócrates]. (…) Se fiquei surpreendido com a detenção? Fiquei. (...) [Mas] ficou sempre muita coisa por responder».