O Benfica criou um “Gabinete de Crise”. Com várias funções. Entre elas monitorizar o que dizem e escrevem os jornalistas. E se existir “matéria”, agir contra eles. 

Um gabinete de crise feito para ouvir e avaliar a opinião. E depois agir contra quem pensa diferente, se a opinião não tiver acolhimento. 

Um gabinete de crise dirigido por um ex-jornalista, Luís Bernardo, que agora também vigia e entrega aos seus serviços jurídicos os ex-colegas que dizem e escrevem o que for considerado “blasfémia”. 

Para quem é vítima de  abusos de liberdade de imprensa há leis e o recurso aos tribunais em Portugal. Para quem é vitima de falsidades há leis e o recurso aos tribunais. Para quem se sente difamado ou ofendido há leis e o recurso aos tribunais. É assim há muito tempo.  

Houve um tempo da nossa história em que se criaram os tribunais plenários. “Julgavam” as ações contra o Estado Novo.

Agora há um gabinete de crise para monitorizar as “ações” contra o Benfica. 

Para alguns a tarefa era a mesma há uns anos, mas num contexto diferente. Mudou a subserviência, mas um dos alvos é o mesmo. Os jornalistas. É assim. Há pessoas talhadas para determinadas tarefas.  

Nada de novo se passa no Benfica. Esse trabalho já era feito antes da declaração do presidente Luís Filipe Vieira. Como é feito nos outros clubes. Mas o formalismo torna tudo mais sombrio e preocupante.

O país não merece este sentimento de impunidade.

Mas se o “Gabinete de Crise” do Benfica entender agir contra mim, benfiquista confesso, o Luís Bernardo tem a tarefa facilitada. Os dados são os mesmos de há 10, 15 anos atrás.

Como minha testemunha abonatória (sem ter pedido o seu consentimento) avanço o nome de José Eduardo Moniz. Pela sua memória, pelo seu apego à liberdade e pela forma como lutou contra outros “gabinetes de crise”. 

Sei que aceitará testemunhar em meu favor.