O comentador da TVI Paulo Ferreira mostrou-se esta segunda-feira surpreendido com o facto de o anterior Governo PSD/CDS-PP e o Banco de Portugal não terem atuado de forma preventiva em relação ao Banif. Num debate na “21ª Hora” da TVI24, Paulo Ferreira sublinhou que o nível de surpresa  não foi grande, na decisão anunciada no domingo à noite da venda de parte da atividade do Banif ao Santander Totta, porque o Banif era um banco com problemas há alguns anos. Não se compreende por isso que o anterior Governo não tenha agido.

“A situação desequilibradíssima do Banif não é nova e o que espanta, de facto, é que o Governo anterior, claramente o Governo anterior, o Governo PSD/CDS e o supervisor Banco de Portugal, não tenham atuado de uma forma mais preventiva. Isto é, ninguém vende bem depois de isto acontecer, numa situação de emergência. Não se vende bem com pressa (…). Com a casa a arder nunca se faz bom negócio”, sublinhou o comentador.


Paulo Ferreira recordou que o Banif era um banco com problemas há dois ou três anos e o anterior Executivo e o supervisor só tinham de perceber qual era o timing em que das duas uma: ou o banco era vendido, ou então, com a situação de degradação, era intervencionado de alguma forma. O comentador realçou que havia uma “janela temporal”, para se resolver o problema do Banif, que era muito apertada até ao final deste ano.

“E por uma razão muito simples: a partir do dia 1 de janeiro próximo vão mudar as regras que regulam estas intervenções e estas resoluções bancárias. [vai ser criado o Mecanismo Europeu de Resolução] . E isso vai implicar que, por exemplo, depositantes com mais de 100 mil euros passam a ser solidários, isto é passam a poder perder quando há uma falência bancária. Para não corrermos o risco de a Comissão Europeia no próximo ano, já com essas regras em vigor, vir a obrigar o Banif a devolver ao Estado as ajudas que tinha recebido (…) era importante resolver o Banif até ao final deste ano. Ou era vendido a uma proposta decente, que não aconteceu, ou tinha que haver uma intervenção”, defendeu.

Para Paulo Ferreira, faltaram tentativas mais eficazes de resolver os problemas do Banif: “Porque agora apareceram seis compradores. Houve pelo menos duas propostas vinculativas… essas duas propostas não apareceram antes?”, questionou.

Bruno Faria Lopes, subdiretor do “Diário Económico”, sublinhou, no mesmo debate, que é muito difícil vender bancos em condições minimamente decentes tendo por resolver problemas de capital bastante grandes.

“Este caso parece um caso puro e duro de má concessão de crédito, má gestão, má supervisão e má decisão política, tudo junto”, defendeu.


Também para Bruno Faria Lopes, o caso do Banif era “amplamente conhecido” e portanto “não espanta” que o colapso do banco tenha sucedido.

O jornalista sublinhou que o Banif estava sem liquidez do Banco Central Europeu (BCE) desde a semana passada e que era o Banco de Portugal que estava a segurar o banco nestes últimos dias. “Foi portanto de facto uma medida de total emergência tomada. Isto foi bastante precipitado”, concluiu.