Quais são os efeitos de um eventual colapso grego Grécia na Europa? "Não sabemos. É a resposta mais honesta...". Augusto Santos Silva condena a gestão política "calamitosa" do caso grego, de um e outro lado, mas  
assinala que as instituições europeias "têm mais responsabilidade porque têm mais poder". "Quem manda são os políticos" e os ministros das finanças não estão a fazer o que têm como obrigação.

"O que nós vemos é que, na segunda-feira, havia uma gestão política da crise com perspetiva positiva. Hoje, regressou a incerteza... Muita precaução, muita prudência, muita política e muito poucos ministros das Finanças nisto.A ministra das finanças [portuguesa]  justificou o adiamento [do Eurogrupo], dizendo que nem sequer chegámos a discutir porque não nos foram comunicadas medidas. Se os ministros das finanças se comportam assim estão a demitir-se do seu papel de políticos eleitos", considerou. 

"Quem manda são os políticos, não são os homens de preto. Não são os técnicos, os burocratas, que decidem em nome dos políticos. Nem isto é uma questão técnica. Do ponto de vista técnico, o desacordo é ridículo, a dimensão do desacordo é absolutamente ridícula. Coitado do governo grego, que está feito num oito"


O socialista considera que Passos Coelho e Mariano Rajoy, o presidente do governo espanhol, estão a fazer um "jogo de altíssimo risco", ao colocarem-se do ladodaqueles que querem "castigar" a Grécia e "alegando que estamos protegidos perante o caso grego".

"Tsipras tem toda a razão quando diz 'porque é que eu não posso fazer o que Portugal e Irlanda puderam fazer? Não quero cortar pensões. Proponho medidas alternativas com a mesma dimensão? Porquê?", questionou.

Outro tema incontornável do seu habitual comentário semanal foi a última sondagem em que a coligação PSD/CDS-PP ultrapassa, pela primeira vez, o PS nas intenções de voto.

Santos Silva defende que a "marca António Costa vale muito mais do que o PS". "O partido como produto político tem um desgaste que o seu líder não tem". Relativizou os resultados em si, dizendo que o que a sondagem mostra é que nenhum dos partidos tem a vitória garantida e que é no centro, nos indecisos e no voto útil que se vão jogar as eleições.