Augusto Santos Silva esperava perguntas mais centradas nas questões políticas por parte do PSD em relação ao cenário macroeconómico do PS. O comentador da TVI24 afirmou esta terça-feira no programa "Política Mesmo" que a carta assinada pelo vice-presidente dos sociais-democratas, Marco António Costa, apresenta questões "demasiado técnicas".

"Parece um questionário numa aula de finanças públicas. Pensei que as perguntas iam mais às questões politicas. Pareceu-me que as perguntas eram demasiado técnicas e de pormenor e estava à espera que o PSD identificasse já aqueles gritos de alerta e aqueles sinais vermelhos que Matos Correia comunicou ao país que o documento tinha."


Mais, o comentador achou "curioso" que a carta tivesse sido assinado por Marco António Costa e explicou porquê.

"Achei curioso que a carta fosse assinada pelo Dr. Marco António Costa. Primeiro porque o líder do PSD é o Dr. Passos Coelho e depois porque Marco António Costa foi  vice-presidente da Câmara Municipal de Gaia com o pelouro das finanças quando o Dr. Luís Filipe Menezes deixou uma gloriosa dívida de várias centenas de milhões de euros nessa câmara."


Em relação à ideia de submeter o cenário macroeconómico socialista a uma avaliação da Unidade Técnica de Apoio Orçamental (UTAO), sugerida pelos sociais-democratas, o comentador da TVI24 questiona aquilo que considera ser um processo que pode significar a "instrumentalização de órgãos da Assembleia da República para a luta político-partidária".

"O PSD diz que ou o PS toma a iniciativa ou então a maioria tomará a iniciativa. Isto quer dizer que a maioria está disponível para inaugurar um processo de luta política que consiste no seguinte: submeter a avaliação técnica de propostas de partidos mesmo quando estes não querem que isto se faça? Acho isto extraordinário."


Para Augusto Santos Silva, trata-se de um "número" que pode "parecer popular", mas que levanta algumas questões.

"O programa eleitoral também vai ser submetido a avaliação técnica? Vai ser auditado? Vamos ter vistos prévios aos programas dos partidos? [...] Acho que o PSD não mediu o alcance da iniciativa."

Relativamente ao anúncio da coligação, o comentador da TVI24 destaca que a união do PSD e do CDS representa uma vantagem, mas uma vantagem que traz um custo: "favorece o PS".

"A coligação faz sentido para aproveitar a vantagem técnica para a transformação do número de votos em números de deputados. Mas a vantagem tem um custo. PSD e CDS vão juntos não só às legislativas como às presidenciais e isso só favorece o PS. Porque dá argumentos aos socialistas para pedir voto útil à esquerda."


Já em relação à proposta que uniu a maioria e o PS sobre a cobertura jornalística das eleições legislativas e que causou muita polémica nos últimos dias, Augusto Santos Silva considera que se trata de "um profundo disparate". No entanto, admite que há um problema e que houve uma tentativa de resolver um problema.

"O problema é que a cobertura ainda se regula por um decreto de 1975. Essa lei ficou desatualizada. Ninguém está disponível para ver e ouvir debates ao redor de 17 partidos. Temos que ter debates que tenham em conta a representatividade social e politica dos candidatos."