Augusto Santos Silva considera que o Governo e o PSD cometeram «dois erros monumentais» na análise às negociações da Europa com a Grécia.

«O primeiro foi aquela colagem, numa espécie de submissão ou de vassalagem pública à Alemanha, encenada naquela peregrinação da ministra das Finanças ao ministro das Finanças alemão. Aquela fotografia de Maria Luís Albuquerque ao lado de Schauble podia ser o cartaz eleitoral número 1 do PS porque diz tudo. Se há coisa que os portugueses não querem é essa colagem excessiva».

«O segundo foi tentarem colar as posições do PS ao Syriza, porque, se há coisa que o eleitorado do PS quer, é que o PS descole do PSD e do CDS. Portanto, tudo o que seja ajudar a tornar clara essa diferença só favorece o PS».


Para o socialista, os últimos dias também demonstraram uma «atitude muito interessante» do CDS, com Paulo Portas a fazer uma «descolagem inteligente» das vozes do PSD.

«Porventura, no Largo do Caldas (sede do CDS), se discutirá agora se vale mesmo a pena insistir na coligação pré-eleitoral com o PSD».


Santos Silva sublinhou ainda que o acordo grego mostrou que é possível outro caminho.

«Os gregos conseguiram tirar da mesa o aprofundamento do programa de austeridade. Não conseguiram impor a sua visão inicial de reformulação total das condições de pagamento da dívida pública, mas conseguiram tirar da agenda política interna as medidas que significariam o agravar da austeridade».