Augusto Santos Silva afirmou que, relativamente à sustentabilidade da Segurança Social, “há um oceano que separa” as propostas do PS das da maioria e que “o tempo é de decisões que só o eleitorado pode tomar”. O comentador da TVI24, afirmou, esta terça-feira, no programa “Política Mesmo”, que a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque "assustou os pensionistas” e depois teve de recuar por ser ano de eleições.

"Não me parece que tenha sido uma grande malha a ministra ter vindo assustar os pensionistas."


Apesar de admitir que é desejável um acordo sobre a matéria em sede de Concertação Social, Augusto Santos Silva destacou que o problema das pensões, do ponto de vista do PS, só pode ser atacado através do crescimento da economia e da diversificação das fontes da Segurança Social. Já em relação à perspetiva do Governo, entende que esta é bem diferente e visa tornar permanentes cortes que estavam circunscritos ao programa de ajustamento.

“Do ponto de vista do Governo há pensões que têm um valor excessivo e o Governo quer tornar permanentes cortes que estavam previstos apenas para o programa de ajustamento.”


Para Augusto Santos Silva, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, “assustou os pensionistas”, esquecendo-se que era ano de eleições, e obrigou o vice-presidente do PSD, Marco António Costa, a vestir a pele de “bombeiro” do partido. Agora, o comentador destaca que o “cobertor” destapou-se: o Governo apresentou ao país um Programa de Estabilidade com contas por fazer.

“A senhora ministra disse que não seria honesto por de parte a hipótese de haver cortes nas pensões em pagamento, mas teve que recuar e dizer que não está nada decidido. […] Há 600 milhões de cortes por fazer e o Governo não faz a mínima ideia onde vai buscar esse dinheiro.”

Quando questionado sobre o apelo de Maria Luís Albuquerque para a necessidade de haver um consenso político em relação ao problema das pensões, Augusto Santos Silva aproveitou para criticar o Executivo por se preparar para reconduzir o Governador do Banco de Portugal sem consultar o partido liderado por António Costa.

"Isto dos consensos tem dias. [...] O mesmo Governo prepara-se para reconduzir o Governador do Banco de Portugal sem consultar o PS quando estamos a meses das eleições. O Governo que fez aprovar um relatório à comissão de inquérito ao BES que toma como alvo principal pelo descalabro a supervisão. [...] O Governo que queria consenso para as pensões não pega no telefone para fazer uma chamadinha [ao PS]."