Augusto Santos Silva considerou, esta terça-feira, na TVI24, que há um período «na vida pessoal e profissional» de Passos Coelho que suscita dúvidas. O comentador da TVI disse ainda que a polémica em torno das dívidas do primeiro-ministro tem consequências políticas.
 

«Basta ver que o primeiro-ministro foi hoje fechar as jornadas parlamentares do seu partido, demorou 10 minutos a  tentar construir este argumento de que tudo isto é um  problema eleitoral, tudo isto é uma campanha política para perceber que os efeitos são muito negativos. As jornadas parlamentares desapareceram. Desde sábado que se discute este caso. E este caso belisca o dr. Passos Coelho em duas dimensões muito importantes», sublinhou.

«A primeira dimensão é o desenho que se vai compondo. Há ali um período na vida pessoal e profissional de Passos Coelho que é um período que suscita dúvidas do ponto de vista de padrões de comportamento», disse.

«E há uma segunda dimensão que ainda me parece mais grave. É sempre a história do duplo padrão. Passos Coelho que diz que os políticos não são todos iguais, que ele faz questão de pagar as dívidas, que acabou o tempo das facilidades, que diz que os portugueses se devem habituar a cumprir todos o suas obrigações é o mesmo Passos Coelho que é apanhado numa situação que é tecnicamente, insisto, de evasão contributiva», afirmou.


O comentador da TVIconsidera que «a reação mais lógica da parte dele seria responder a estas perguntasse e portanto disponibilizar a informação necessária para que as pessoas possam formar o seu juízo».

Augusto Santos Silva considerou ainda que o eventual subtexto no discurso de Passos Coelho, em que faria alusão a que uns «tipos são mais honestos que outros», numa alegada referência ao ex-primeiro-ministro José Sócrates que está detido preventivamente, seria «muito ordinário».

«O dr. Passos Coelho não estava a usar esse truque porque seria mesmo muito ordinário»