Augusto Santos Silva criticou a posição do Governo português em relação ao novo Executivo da Grécia, dizendo que não compreende como Pedro Passos Coelho diz que as propostas do Syriza são um «conto de criança», quando nem a Alemanha fez reparos similares.

No seu comentário semanal no programa «Política Mesmo» da TVI24, Santos Silva diz que a posição do primeiro-ministro é «incompreensível», não deixando de ser coerente com anteriores discursos de Passos Coelho

«A posição do primeiro-ministro português é incompreensível. É o único chefe de Governo que diz em relação à Grécia: “não interessa para nada é um conto de crianças”. A Chanceler [alemã] ficou calada e enviou uma carta de cortesia, o presidente norte-americano disse “cuidado não se pode punir mais os países que foram punidos pela austeridade”, a França e a Itália apoiaram, a Espanha está calada, só o Governo português [tem esta posição]. (…) Está a ser coerente com o Passos Coelho que dizia “o meu programa é o programa da troika”, “fui e quero ir mais além da troika”, o Passos Coelho que em 25 de outubro de 2011 dizia “nós só conseguimos sair desta situação empobrecendo”».


O comentador da TVI24 não acredita que a Grécia esteja à procura de «facilidades», e diz que a Zona Euro deve ouvir o novo Executivo para encontrar uma solução que beneficie tanto gregos como a Europa.

«[A Grécia] não quer o caminho das facilidades. Se nós (Europa) chegarmos a acordo com a Grécia para que o país tenha condições para reformar o muito que tem de fazer internamente, teremos um bom resultado. Teremos um acordo que beneficiará os gregos e a Zona Euro».