Em entrevista à TVI24, Augusto Santos Silva afirmou que a Grécia não deve sair da zona Euro, uma vez que seria prejudicial não só para os gregos mas para todos os cidadãos europeus.

“A Grécia não deve sair da zona Euro. Em primeiro lugar porque não sabemos o que acontece a seguir na zona Euro e, em segundo lugar, porque os riscos políticos da saída da Grécia excedem em muito os custos da sua manutenção na zona Euro”, afirmou o ex-ministro.


Santos Silva disse também que “o ‘não’ não pode ser o caminho para o desastre” e que durante os últimos dias houve “excessos de linguagem e oposição parte a parte que devem ser dados por encerrados”. O comentador defendeu ainda a importância de um acordo entre as duas partes.

“61% dos votantes disseram não à proposta apresentada pelas instituições europeias. Portanto, cabe ao governo grego apresentar uma contra proposta e cabe às instituições europeias olharem com menos arrogância e mais sentido construtivo para essa contra”.


A deputada do PSD, Teresa Leal Coelho, expressou a mesma opinião, acrescentando que a Grécia se deve resignar ao respeito das condições dos credores pois “ pertencer à zona euro traz como consequência cumprir um conjunto de regras que todos os estados membros têm vindo a cumprir”.

“Não nos podemos esquecer que a Grécia estava a ver resultados bastante positivos no que diz respeito ao que eram os objetivos que tinham sido estabelecidos no âmbito dos memorandos de entendimento”, declarou a deputada, afirmando que “o modelo de organização política da Grécia que é determinante para a sustentabilidade do euro, que afeta a vida dos gregos, mas também a afeta a vida dos portugueses”.


Mariana Mortágua, deputada do Bloco de Esquerda, não partilha desta visão e defendeu que “aquilo que assistimos nos últimos dias por parte das instituições europeias, e também pelo governo português, foi terrorismo”, acrescentando que os credores se terão unido para “chantagear um povo”.

A deputada afirmou também que o “não” na Grécia “dá esperança a Portugal e à Europa. O que nos mostrou o povo grego é que é possível lutar por uma Europa não de partido único”.