O presidente Luís Filipe Vieira prometeu para o jogo com o FC Porto um “Benfica à Benfica”.

Não cumpriu. Como não cumpriu muitas outras promessa feitas no seu mandato. “Vamos ser campeões europeus”, “vamos ter a base da Seleção Nacional”, “vamos ser maiores do que o Real de Madrid”… (vão ao Google, recuem uns anos e divirtam-se com as semelhanças com Bruno de Carvalho). 

Foi um Benfica curto para o FC Porto.

Uma derrota que espelha uma época. De um lado uma equipa que se reconstruiu depois quatro anos de desaires, do outro lado uma que encontrou no sucesso o caminho para a asneira.

Uma equipa reconstruiu-se com o que tem de melhor um clube. A paixão.  A outra ficou refém de uma gestão onde os números e o valor da equipa nunca batem certo.

No FC Porto a paixão regressou sob a liderança de Jorge Nuno Pinto da Costa.

E aí Luís Filipe Vieira é um eterno derrotado. Pela comparação de resultados com o FC Porto e pela comparação de personalidades. Vieira perde para Pinto da Costa no humor, na graça, na rapidez de raciocínio, na irreverência. Perde em tudo…

Havia uma área em que não perdia para Pinto da Costa. A verdade desportiva. Mas esta época suplantou o rival. Mais detidos, mais arguidos e mais buscas.

Com a conquista do tetra era a segunda vez que Vieira tinha “decretado” o fim de Jorge Nuno Pinto da Costa. Ontem Vieira e a sua “estrutura” derem nova vida ao velho Dragão. Na Luz, onde Pinto da Costa tem amealhado alegrias, deu tão pouca importância a Vieira que até preferiu chamuscar Rui Vitória e ignorar o presidente.

Recolhido no seu gabinete, Luís Filipe Vieira engolia mais um sapo. Rodeado de empregados sem paixão pelo clube ou apoiado maioritariamente em benfiquistas que nunca choraram uma derrota ou viram um jogo à chuva.

Vieira voltou ontem ao seu pequeno mundo. Onde é líder, onde governa a seu belo prazer, onde faz e desfaz alianças, onde convida inimigos e deixa cair aliados. Onde manda e faz o que quer. Onde todos obedecem. E no momento da derrota fica isolado ou apoiado pelos que já nada têm a perder.

Paulo Gonçalves já não pode ser o que era e Domingos Soares Oliveira não chega para tudo.

Agora é tempo de silêncio e esperar pela confirmação da pior época da última década. Se assim for. o guião está escrito.  Voltar às promessas e sacrificar alguém. Ou Rui Vitória ou olhar para fora e diabolizar quem discordar.

Enquanto Jorge Nuno Pinto da Costa ri. Com razão.

Quarta-feira vai a Alvalade e já não deve ter Bruno de Carvalho no camarote. O jovem presidente leonino está desaparecido e procura travar o processo de autodestruição que o próprio iniciou.

Com mais de 80 anos, o presidente portista ameaça regressar à crista da onda. E lá do cimo voltar a sorrir ao olhar para os presidente do Benfica e do Sporting.