O comentador da TVI, António Costa, criticou, esta sexta-feira, as declarações do primeiro-ministro sobre a eventual reversão da privatização da TAP, considerando que o líder do Executivo adotou uma posição ao estilo “venezuelano” de “ou vai a bem ou a mal”.

António Costa referia-se a declarações do primeiro-ministro hoje, em Bruxelas, de que o Estado retomará a maioria do capital da transportadora aérea TAP mesmo sem acordo com os compradores privados. 

Na 21ª Hora, num painel de análise onde também esteve António Pedro Vasconcelos, presidente da Associação Peço a Palavra, António Costa disse que as declarações do primeiro-ministro só são aceitáveis se o líder do Governo souber “alguma coisa” que o público desconhece.

 “Fazer uma afirmação com esta gravidade, neste tom, um bocadinho ao estilo venezuelano de ‘ou vai a mal ou vai a bem’, parece-me uma coisa bastante despropositada. (…) [A não ser que] António Costa [saiba] alguma coisa que nós não sabemos, [mas] se sabe deveria dizê-lo.”


O comentador da TVI foi mais longe e acrescentou que a posição de António Costa pode prejudicar o investimento estrangeiro em Portugal.

“A TAP tem novos acionistas, o negócio foi validado em várias frentes. (…) Vou subentender que esta afirmação de ‘ou vai a bem ou vai a mal’ corresponde a informação que António Costa terá, de que não terão sido cumpridas todas as regras. Só compreendo à luz disto. Mas exige-se do primeiro-ministro outro tipo de comportamento, porque qualquer investidor internacional que olhe para um primeiro-ministro que diga ‘este negócio acaba a bem ou mal’ olha para este país e diz ‘isto é de loucos’”

António Costa disse, ainda, que se realmente for intenção do Estado reverter a privatização, o primeiro-ministro tem de explicar quais podem ser as consequências desta decisão, pois António Costa pode estar a iniciar um terceiro problema, quando ainda não resolveu os do Novo Banco e do Banif.
 

"António Costa para pôr em causa este negócio tem que dizer-nos o que acontece a seguir. O Estado português vai pôr em causa o negócio que está em cima da mesa, e vai não só ter os 51% como vai anular, mesmo, a privatização, o que é que vai acontecer à TAP a seguir? António Costa tem dois problemas para resolver, tem o Novo Banco e o Banif, (…) o que o primeiro-ministro está aqui a abrir é uma caixa de pandora. Ainda não resolveu aqueles dois [problemas] e está a abrir o terceiro."