O presidente do capítulo português do Safari Club International, João Corceiro, defendeu na TVI24 que a caça "pode potenciar a conservação da natureza" pois é um modelo de gestão e de conservação da vida animal, devido às taxas de abate dos animais que acabam por financiar áreas e parques protegidos. Admite que o modelo pode parecer “absurdo” para a população em geral, mas que “funciona”.

“Há as taxas de abate de animais e a caça é um modelo de gestão e de conservação da vida animal. O que é que se pretende? Pretende-se que se abatam animais no fim da sua vida, que estão a chegar ao final sua existência, e que isso possa trazer algum valor para a conservação da própria espécie. pode parecer absurdo, mas funciona.”


E deu o exemplo do Quénia para esclarecer o seu argumento.

"Em África continua a haver um conflito entre o homem e o animal. A caça desportiva no Quénia foi proibida em 1977. No entanto, as populações de animais estão a diminuir drasticamente. Um biólogo escreveu há pouco tempo um relatório em que diz que o problema do leão no Quénia é que vai desaparecer nos próximos anos e uma das soluções é que as populações locais possam ter algum retorno do facto de terem de conviver com a vida selvagem. O dinheiro da caça desportiva não chega e talvez pudesse salvar o leão."


João Corceiro foi entrevistado na TVI24 a propósito do caso de Cecil, o leão protegido que foi abatido no Zimbabué por um dentista norte-americano. O responsável português explicou as razões que estão na base da ilegalidade desta caçada.

“Há fortes indícios de que seja um crime. Os dois caçadores, quer o profissional, quer o cliente, são sócios do Safari Club e o Safari Club suspendeu a condição de sócios porque há fortes indícios de ilegalidade. O que está na base da ilegalidade desta caçada é o facto de o leão ter sido abatido numa área que não tinha quota para leão.”


Sobre o facto de o leão ter sido decapitado e esfolado, sublinhou que este é um procedimento normal e comum na caça de troféus.

"O que se faz é esfolar os animais que se mataram, aproveitar o crânio e a pele para depois se montar os troféus, que depois podem ir para museus, universidades ou para coleções particulares. Isso é um procedimento comum."


Também ele caçador, João Couceiro diz que o ser humano é um “predador e um caçador” na sua origem.

"O ser humano é um predador, é um caçador na sua origem. Basta olhar para a nossa fisionomia. Onde temos os olhos? Na frente da cara. Somos predadores, estamos focados. Isto é uma atividade que vem desde a origem do ser humano. Uma pessoa nasce caçador, depois é uma questão de nascermos num ambiente em que isso seja potenciado ou não."