Opinião: «O que estamos à espera para travar esta lógica que faz o jogo da banca?»

Eurodeputada Ana Gomes mostra-se decepcionada com os resultados do acordo entre o Governo e o principal partido da oposição para «rechaçar o ataque aos especuladores»

Por: Redação / MM    |   3 de Maio de 2010 às 17:35
Ana Gomes considera que o encontro entre o primeiro-ministro e o líder da oposição para fazer face à descida do rating do país acabou por ser decepcionante. «Mas a montanha acabou por parir um rato. Um rato largado contra os desempregados, que não têm culpa da crise provocada pelos especuladores financeiros», considerou, no espaço de opinião do TVI24, palavras assinadas.

«Um rato que não se sabe quanto aliviará ao Orçamento do Estado», sublinhou.

«Não se percebe a lógica, sobretudo quando o governo diz que não há ataques especulativos que o façam desistir do programa de obras públicas. Neste programa há um projecto em que Portugal está internacionalmente vinculado e que é estratégico para o seu desenvolvimento. O TGV Lisboa ¿ Madrid. Mas este e todos os outros projectos vão implicar que as empresas e o estado façam mais do mesmo, que alimenta e atiça os especuladores financeiros, que é ir buscar dinheiro ao exterior, agravando a dívida pública», explica a eurodeputada.

Assim, Ana Gomes exorta o Governo a emitir «empréstimos obrigacionistas públicos que captem e incentivem as poupanças dos portugueses e travem o endividamento do país ao exterior». «O que é que estamos à espera para travar esta lógica que faz o jogo da banca e dos especuladores financeiros internacionais?», remata.
PUB
Partilhar
EM BAIXO: Ana Gomes
Ana Gomes
COMENTÁRIOS

PUB
José Sócrates passa terceira noite detido

Eram 08:35 quando o ex-primeiro ministro regressou ao Campus da Justiça, de onde tinha saído sábado à noite, após cinco horas no local e após ser identificado pelo juiz Carlos Alexandre, que o interrogou este domingo. Sócrates saiu do Campus de Justiça às 21:43, de sorriso na cara. Inquérito será retomado esta segunda-feira às 9:15. Recorde-se que foi detido na sexta-feira no aeroporto de Lisboa quando chegava de Paris. É suspeito de crimes de fraude fiscal, branqueamento de capitais e corrupção